Alexander De Abreu: ‘A Venezuela quer viver em liberdade’

12-05-2017

 

Alexander De Abreu, estudante, é venezuelano residente no Brasil e integrante do PSD Jovem

 

Depois de mais de um mês de protestos contra o governo de Nicolás Maduro, a Venezuela já contabiliza mais de 39 mortes causadas pela forte repressão. Armando Cañizales é um exemplo das perdas sofridas pelo país. Um jovem de 17 anos que acabou morto em meio a um protesto, exigindo mais democracia e liberdade.

Os venezuelanos sofrem uma grave crise humanitária. Faltam alimentos e produtos básicos de consumo, mesmo depois de enfrentar longas filas de espera. No mercado paralelo que se criou para a venda desses produtos, preços incrivelmente altos são um empecilho para a maioria dos cidadãos.

Sofrem também com uma grave crise de insegurança que cobra a vida das pessoas dia a dia. Éimportante lembrar que as balas não se interessam por ideologia, a insegurança afeta a todos e principalmente aqueles com menos recursos econômicos. Faltam medicamentos nas farmácias e noshospitais, além de insumos médicos para tratar diversas doenças.

É grave e lamentável, com cenas trágicas como a de um grupo de mães de crianças com câncer protestando em frente a um hospital em Caracas chamado J.M. de los Ríos, por causa da falta de tratamento para seus filhos.

E, tristemente, os problemas da Venezuela vão ainda mais longe. O país sofre com a maior taxa de inflação do mundo segundo o Banco Mundial, o que faz que o dinheiro não tenha valor e vire água nas mãos dos trabalhadores.

Segundo a organização Transparência Internacional, a Venezuela é considerada o país mais corrupto da América Latina, sendo que cada centavo desviado dos cofres públicos significa redução dos direitos das pessoas.

E podemos adicionar a esses males a falta de liberdade de expressão nos meios de comunicação e a situação de presos políticos, como Leopoldo Lopez. A ONU já solicitou sua libertação ao governo venezuelano, por considerar o seu julgamento irregular. E por aí vai a lista de problemas que afetam a população …

O cenário venezuelano é altamente complexo, mas, o mais importante é reconhecer que os protestos defendem e buscam recuperar a democracia que desapareceu no país. Os venezuelanos estão nas ruas pedindo melhores condições de vida, um futuro melhor, que seus direitos humanos sejam respeitados.

Quando um país na região quebra os pilares democráticos, a América Latina perde junto. Quando um país na região fortalece sua democracia, ganhamos todos. A OEA iniciou a aplicação da Carta Democrática Interamericana, e o governo da Venezuela, em resposta, decidiu iniciar o processo de saída do organismo. A ONU se mostra novamente preocupada com a situação atual do país e os direitos humanos, além disso, o Parlamento Europeu aprovou recentemente uma resolução a respeito da situação crítica da Venezuela.

O Brasil precisa adotar uma postura mais participativa a favor dos direitos humanos, da democracia eda população da Venezuela. O chamado a uma Assembleia Constituinte por parte do regime venezuelano não é uma solução para a crise, sendo que 250 dos delegados para tal constituinte seriam escolhidos dentro das bases controladas pelo governo, o que não é uma medida que garanta a pluralidade democrática.

Os venezuelanos querem viver em plena liberdade. Não é mais uma questão de esquerda ou direita, a situação não é dicotômica, as pessoas estão se unindo e mostrando seu descontentamento com o governo de Maduro. É importante iniciar a leitura do cenário político venezuelano sabendo que dentro da oposição existem partidos de esquerda, ​sendo que quatro deles são membros Internacional Socialista​.​

Esse fato demo​nstra que existe pluralidade democrática​ na oposição​ e que a ​defesa da ​democracia está acima das ideologias. Alguns veículos da mídia brasileira não aprofundam nas diversidades ideológicas e repetem o discurso do chavismo, ​quando se refere à direita de forma pejorativa​.​ ​Is​so fere o sentido de luta pela democracia e d​o trabalho conjunto sem ​importar como o outro pens​a​. Não dizer isso só reforça os estereótipos contra a direita na região. Democracia é debater e buscar soluções em conjunto. Partidos de direita e esquerda juntos é bom, todos em prol da liberdade e da democracia.

​Além disso, existem chavistas que criticam ao Maduro e não se consideram maduristas​. E existem pessoas que não se identificam com nenhuma das opções.​ As pesquisas nacionais independentes mostram o descontentamento da população com a situação atual do país.

O chamado à unidade nacional, ao acolhimento do outro, sem importar sua ideologia, é fundamental para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos. Os venezuelanos se unem mais e mais pedindo um melhor futuro. A América Latina deve rejeitar posturas ditatoriais e repressivas, o Brasil deve apoiar mais os democratas venezuelanos, ​defendendo a liberdade dos presos políticos​, a abertura d​e um canal humanitário​, o fim da repressão violenta​ e eleições gerais ​na Venezuela.​

Democracia sim, ditadura não.

 

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