Países nórdicos: números de causar inveja

10-04-2018

 

 

Luiz Alberto Machado, Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

                            

Paulo Galvão Júnior, economista com especialização em Gestão em Recursos Humanos pela FATEC Internacional

 

Na Europa, exatamente na Europa Setentrional, estão localizados os países nórdicos. Os cinco países nórdicos são a Noruega, a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia e a Islândia. As nações nórdicas estão situadas ao norte do Oceano Atlântico, no Mar de Barents e nos limites do Círculo Polar Ártico.

Os países nórdicos são de clima frio, mas têm excelentes índices econômicos, sociais e ambientais. Os países nórdicos têm uma população total de 26,8 milhões de habitantes distribuídos por uma área territorial de 3,5 milhões de km², onde as regiões autônomas da Groenlândia, das Ilhas Faroé e das Ilhas Alanda correspondem a mais de 60% da área total.

De acordo com os dados de 2016 do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Suécia é a mais populosa entre as nações nórdicas com 10,0 milhões de habitantes. Em segundo lugar encontra-se a Dinamarca com 5,7 milhões de habitantes. A Finlândia é a terceira nação mais populosa com 5,5 milhões de habitantes. A Noruega é a quarta nação mais populosa com 5,3 milhões de habitantes. A quinta e última nação menos populosa é a Islândia com apenas 319 mil habitantes.

Os países nórdicos são ricos e de economia mista. A Suécia é o mais rico dos cinco países nórdicos com o Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 511,4 bilhões, segundo os dados de 2016 do FMI. O segundo país mais rico é a Noruega com o PIB de US$ 370,4 bilhões. O terceiro é a Dinamarca com o PIB de US$ 306,7 bilhões. O quarto e o quinto países mais ricos são a Finlândia e a Islândia, com o PIB de US$ 236,9 bilhões e de US$ 20,0 bilhões, respectivamente. As cinco economias nórdicas juntas têm um PIB total de US$ 1,445 trilhão no ano de 2016.

Sob a orientação do economista sueco Karl Gunnar Myrdal (1898-1987), que dividiu o Prêmio Nobel de Economia de 1974 com o economista austríaco Friedrich von Hayek (1899-1992), os países nórdicos implantaram o modelo do Estado do Bem-Estar Social (Welfare State) após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o objetivo de atender as necessidades básicas da população.

Myrdal defendeu a tese de que o Estado desse aos cidadãos educação e saúde de qualidade mediante o pagamento de altos tributos. Do nascimento até a morte do indivíduo, o Estado garante saúde, licença maternidade, educação, renda mínima, seguro desemprego, aposentadoria e outros direitos. Há um consenso da sociedade nórdica de que os elevados tributos são justos para desfrutar uma excelente qualidade de vida. Apesar dessas ideias, Myrdal não se opunha totalmente à economia de mercado.

O modelo nórdico de social democracia combina uma economia de mercado com um Estado forte, ou seja, elevados gastos sociais, altos tributos, altos salários para manter o nível da atividade econômica em pleno emprego, além de promover educação e saúde de qualidade. O presente artigo busca analisar os principais índices dos cinco países nórdicos nos dias atuais com base nos principais relatórios mundiais divulgados por diversos organismos ou instituições internacionais com grande respeitabilidade.

 Os principais índices dos Países Nórdicos

Em comemoração aos 120 anos de nascimento do economista Gunnar Myrdal, nascido em Gustafs, na Suécia, em 06 de dezembro de 1898, este inédito artigo contribui para uma reflexão crítica e apresenta os principais índices dos países nórdicos na atualidade e os seus respectivos rankings mundiais.

 

A Noruega é o país com o melhor IDH do planeta

A Noruega, com 327.782 km², é o país com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta, segundo os dados de 2015 do Relatório sobre o Desenvolvimento Humano 2016, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O IDH representa um avanço nos indicadores de desenvolvimento dos países. Antigamente, as classificações (ou rankings) consideravam apenas a variação anual do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país, o que consistia numa comparação meramente quantitativa da variação do que cada país produzia de um ano para outro. Posteriormente, a ONU passou a considerar o Coeficiente de Gini, cuja representação gráfica era a Curva de Lorenz, em que se considerava não apenas a variação da renda nacional, mas também o seu grau de distribuição. O IDH, concebido com a colaboração de Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1998, é mais abrangente, composto por indicadores de três dimensões: saúde (em que considera não apenas a mortalidade infantil, mas também a longevidade); educação (considerando não só o grau de analfabetismo, mas também a média de anos de estudo e os anos esperados de escolaridade); e a Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, calculada com base no critério de paridade do poder de compra.

O IDH é mensurado anualmente entre 0 (pior desenvolvimento humano) a 1 (melhor desenvolvimento humano) desde 1990. O IDH é um índice que mede a qualidade de vida da população de um país. O IDH avalia três indicadores: educação, saúde e renda. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.

Os cinco países nórdicos são considerados países de desenvolvimento humano muito elevado e a Noruega lidera com o IDH de 0,949. Em segundo e terceiro lugares estão Dinamarca e Islândia, com IDH de 0,925 e 0,921, respectivamente. Na quarta e quinta posições encontramos a Suécia e a Finlândia, com IDH de 0,913 e 0,895, conforme os dados de 2015 do PNUD.

Entre 188 países analisados pelo PNUD no ano de 2015, o país com o pior IDH do planeta é a República Centro-Africana, com 0,352, sendo, portanto, um país de desenvolvimento humano baixo. O Brasil, por sua vez, encontra-se na 79ª colocação, com o IDH de 0,754, sendo, portanto, um país de desenvolvimento humano alto.

A Dinamarca é o país menos corrupto do planeta

A Dinamarca, com 43.098 km², é o país menos corrupto do planeta, segundo dados de 2016 da ONG Transparência Internacional, numa amostra que compreende 176 países em cinco continentes. Os políticos dinamarqueses são honestos e estão a serviço da população, não existindo nepotismo no serviço público.

O Índice de Percepção de Corrupção (IPC) é baixíssimo nos países nórdicos. Todos eles encontram-se entre os 15 países menos corruptos do mundo, liderados pela Dinamarca (90 pontos), Finlândia (89 pontos), Suécia (88 pontos), Noruega (85 pontos) e Islândia (78 pontos). Nos países nórdicos, a população tem acesso às informações públicas, podendo verificar os recursos utilizados pelo Governo. Existe muita transparência pública, gerando muita confiança da população.

O IPC é mensurado anualmente entre 0 (extremamente corrupto) a 100 (muito transparente) desde 1995. Maior pontuação significa menos percepção de corrupção no país. O país mais corrupto do mundo é a Somália com 10 pontos. O Brasil encontra-se, uma vez mais, na 79ª colocação com 40 pontos, conforme dados de 2016 da Transparência Internacional (Transparency International).

A Suécia é um dos líderes mundiais em inovação

 A Suécia, com 450.295 km², é um dos líderes mundiais em inovação, conforme os dados do Índice Global de Inovação (IGI), uma medição global que mede o nível de inovação de cada país. O IGI, medido pela Universidade de Cornell, na Suíça, é muito utilizado pelos economistas e jornalistas, desde 2007.

O IGI é alto entre os países nórdicos: Suécia (63,82 pontos), Dinamarca (58,70 pontos), Finlândia (58,49 pontos), Islândia (55,76 pontos) e Noruega (53,14 pontos). Os cinco países nórdicos estão no seleto grupo de 20 países mais inovadores do planeta. A inovação gera vantagem competitiva para atrair novos clientes, novos consumidores e novos investidores.

A Suíça é o país mais inovador do mundo, com 67,69 pontos no ano de 2017. O Iêmen é o país menos inovador do planeta, com apenas 15,64 pontos. O Brasil permanece na 69ª colocação entre 127 países avaliados pelo IGI, com 33,10 pontos.

 A Islândia é o país mais pacífico do mundo

A Islândia, com 102.751 km², é o país mais pacífico do mundo, entre os 163 países considerados, de acordo com os dados de 2017 do Índice Global da Paz (IGP). Desde 2008 até os dias de hoje a nação com o melhor IGP é a Islândia, de acordo com o Instituto para a Economia e a Paz (IEP), localizado em Sydney, na Austrália.

Na Islândia, a taxa de homicídio é de 0,3 para cada 100 mil habitantes por ano. Portanto, ocorre por ano menos de um homicídio na mundialmente conhecida Terra do Gelo. Na Islândia o salário do/a trabalhador/a é muito digno. Os islandeses são educados, honestos e pacíficos nas ruas dos seus 98 municípios.

O Índice Global da Paz é muito alto nos países nórdicos: Islândia (1.111 pontos), Dinamarca (1.337 pontos), Noruega (1.486 pontos)1, Finlândia (1.515 pontos) e Suécia (1.516 pontos).

Para ser considerado o mais pacífico, o país é avaliado por uma séria análise de 23 indicadores de qualidade e de quantidade de cada nação e que mede o estado de paz usando três domínios temáticos: o nível de segurança e proteção da sociedade; a extensão do conflito interno e internacional em andamento; e o grau de militarização.

O país menos pacífico do mundo é a Síria com 3.184 pontos. Enquanto isso, o Brasil encontra-se no 108º lugar com 2.199 pontos no ano de 2017 do Índice Global da Paz (Global Peace Index).

A Noruega é o líder mundial em prosperidade

A Noruega é o líder mundial em prosperidade, conforme os dados de 2017 do Índice de Prosperidade (IP), idealizado pelo Legatum Institute em 2007. É necessário esclarecer os principais critérios utilizados pelo Legatum Institute, localizado em Londres, na Inglaterra, para definir o que é o Índice de Prosperidade.

O Legatum Institute analisa 104 variáveis, divididas em nove subcategorias (qualidade econômica, ambiente de negócios, governança, educação, saúde, segurança e proteção, liberdade pessoal, capital social e meio ambiente natural) de cada país para apontar o seu IP anual.

A Noruega (79,85 pontos) lidera o IP entre os países nórdicos, seguida pela Finlândia (78,46 pontos), Suécia (77,59 pontos), Dinamarca (77,06 pontos) e Islândia (76,06 pontos). Os países nórdicos com muita habilidade e criatividade para lidar com as dificuldades alcançam altos desempenhos no IP do Legatum Institute.

Entre os 149 países analisados pelo Legatum Institute no ano de 2017, o Iêmen, localizado na entrada do Mar Vermelho, é considerado o país com menos prosperidade do planeta, com 36,36 pontos. O Brasil, localizado na América do Sul, ficou em 54º lugar no Índice de Prosperidade (Prospertiy Index), com 60,64 pontos.

A Suécia é um dos líderes mundiais em competitividade

A Suécia é um dos líderes mundiais em competitividade no ano de 2017, segundo o Relatório Global de Competitividade 2017-2018 do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum). A Suécia encontra-se no sétimo lugar no planeta.

Entre os cinco países nórdicos a Suécia lidera com 5,52 pontos no Índice Global de Competitividade (IGC). Em segundo, terceiro e quarto lugares encontramos a Finlândia (5,49 pontos), a Noruega (5,40 pontos) e a Dinamarca (5,39 pontos). No quinto e último lugar está a Islândia com 4,99 pontos.

Segundo o CEO americano Lee Iacocca (2017, p. 4), “A competitividade de um país não começa nas indústrias ou nos laboratórios de engenharia. Ela começa na sala de aula”. Por isso a Suíça é o líder mundial em competitividade, com 5,86 pontos no Global Competitiveness Index (Índice Global de Competitividade), segundo o FEM (WEF – World Forum Economic). Enquanto, o Iêmen, na Ásia, é o país menos competitivo do planeta, com apenas 2,87 pontos. O Brasil ficou em 80° lugar entre 166 países analisados no ano de 2017, com 4,14 pontos.

A Islândia é um dos líderes mundiais em liberdade econômica

A Islândia é um dos líderes mundiais em liberdade econômica, de acordo os dados de 2018 do Índice de Liberdade Econômica (ILE), elaborado anualmente pela Heritage Foundation, nos EUA (Estados Unidos da América).

Os doze fatores de liberdade econômica estão divididos em quatro eixos: 1. Estado de Direito (direitos de propriedade, integridade governamental e eficiência jurídica); 2. Tamanho do Governo (carga tributária, gastos do governo e saúde fiscal); 3. Eficiência Regulatória (liberdade de negócios, liberdade de trabalho e liberdade monetária); e 4. Abertura dos Mercados (liberdade de comércio, liberdade de investimentos e liberdade financeira).

Os países são avaliados em cinco categorias no Índice de Liberdade Econômica: 1. Livre (80 a 100 pontos); 2. Majoritamente Livre (70 a 79,9); 3. Moderadamente Livre (60 a 69,9); 4. Maioritamente Não Livre (50 a 59,9); 5. Reprimido (0 a 49,9 pontos). Atualmente, são avaliados 180 países, inclusive o Brasil. Quanto mais próximo de 100, maior é a liberdade econômica desse país. Apenas seis países não foram analisados, sem dados informados, Iraque, Líbia, Liechtenstein, Somália, Síria e Iêmen.

Os dados do Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom) dos países nórdicos revelam que estão na lista das 30 economias mais livre do mundo. A liderança nórdica é da Islândia com 77,0 pontos, em seguida a Dinamarca (76,6 pontos), a Suécia (76,3 pontos), a Noruega (74,3 pontos) e a Finlândia (74,1 pontos).

Hong Kong é o país com mais liberdade econômica do mundo desde 1995, com 90,2 pontos. Hong Kong, um Tigre Asiático, repleto de arranha-céus, shopping centers, restaurantes e joalherias vendendo ouro, além de bancos comerciais cobrando juros baixos, nos seus primeiros passos a caminho da liberdade econômica refutou o protecionismo, o monopólio, o oligopólio, os elevados impostos, os subsídios, os benefícios especiais, as quotas de importação, as licenças de importação, e, sobretudo, a forte intervenção do Estado na economia de mercado. Pelo porto de Hong Kong chega a maioria da comida importada da população e ninguém passa fome.

A Coreia do Norte é o país mais reprimido do planeta, com apenas 5,8 pontos. Em outras palavras, a Coreia do Norte é o país de economia mais fechada do mundo, não há celular nem internet nos lares, ocorrem cortes diários de fornecimento de energia elétrica, mas tem, infelizmente, pessoas famintas, mais de um milhão de soldados, além de mísseis, armas atômicas e bombas de hidrogênio (dez vezes mais poderosa e letal do que as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e em Nagasaki pelos EUA em agosto de 1945).

O Brasil encontra-se na 153ª posição no ranking mundial, com 51,4 pontos, ou seja, a nona economia do mundo é majoritariamente não-livre. Um dos grandes obstáculos para a liberdade econômica é o elevado nível de corrupção, oriunda da forte intervenção do Estado na economia de mercado. A corrupção é um dos maiores obstáculos para o crescimento econômico com inclusão social e sem degradação do meio ambiente. O grande dinamismo da economia brasileira é o mercado interno, além do relevante papel do mercado externo, mas sofre com a corrupção sistêmica e a elevada carga tributária.

A Noruega é o país mais feliz do planeta

Na Terra do Sol da Meia-Noite encontramos a felicidade, porque a Noruega é o país mais feliz do planeta, segundo os dados de 2017 da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU divulga desde 2012 um relatório anual intitulado World Happiness Report 2017 (Relatório sobre Felicidade no Mundo 2017) em 155 nações. Nos TOP 10 da lista dos países mais felizes encontram-se os cinco países nórdicos.

Para a ONU, seis fatores são levados em conta para mensurar o Índice de Felicidade (IF) de uma nação: PIB per capita, expectativa de vida saudável, generosidade, exposição da corrupção, liberdade para fazer escolhas e apoio social. Além de uma pergunta selecionada pela própria ONU: De 0 a 10, qual é o seu grau de satisfação pessoal neste exato momento?

A Noruega lidera com 7.537 pontos o IF entre os frios países nórdicos. Em segundo, terceiro e quarto lugares encontra-se a Dinamarca, a Islândia e a Finlândia, com 7.522 pontos, 7.504 pontos e 7.469 pontos, respectivamente. Na última e quinta colocação a Suécia com 7.284 pontos.

A República Centro-Africana é o país menos feliz do mundo, com 2.693 pontos. Em 2017, o Brasil ficou na 22ª colocação, com 6.635 pontos, segundo a ONU.

A Dinamarca é um dos líderes mundiais em performance ambiental

A Dinamarca é um dos líderes mundiais em performance ambiental, conforme o Índice de Performance Ambiental (Environmental Performance Index). É um índice para quantificar e classificar numericamente o desempenho ambiental das políticas de um país.

No Índice de Desempenho Ambiental 2018 são avaliados o desempenho de 24 indicadores em dez categorias de problemas cobrindo a saúde ambiental e a vitalidade do ecossistema de cada nação avaliada pela Universidade de Yale, nos EUA. A Dinamarca lidera com 81,60 pontos o Índice de Performance Ambiental (IPA) nos cinco países nórdicos. Em segundo, terceiro e quarto lugares encontra-se a Suécia, a Finlândia e a Islândia, com 80,51 pontos, 78,64 pontos e 78,57 pontos, respectivamente. Na última e quinta colocação a Noruega com 77,49 pontos.

No ano de 2018, entre 180 países analisados pela Universidade de Yale, o país com o maior IPA é a Suíça com 87,42 pontos e o país com menor IPA é o Burundi, na África, com 16,90 pontos. O Brasil, um país com doze mil rios em doze bacias hidrográficas, ficou em 69º lugar com 60,70 pontos no ano de 2018.

A Noruega é um dos líderes mundiais em igualdade

Na Terra dos Vikings, a Noruega destaca-se por ser um dos países mais igualitários do planeta, é o terceiro lugar no ranking mundial na igualdade, mensurado pelo Índice de Gini, um instrumento estatístico utilizado para medir a desigualdade social de um determinado país. O Índice de Gini foi idealizado pelo estatístico italiano Corrado Gini (1884-1965) e varia de 0 (igualdade perfeita) a 1 (desigualdade perfeita). No Índice de Gini de um país, quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade econômica, ou seja, maior é a concentração de renda desse país.

Entre as nações nórdicas a Noruega lidera com Índice de Gini de 0,259. A Islândia e a Dinamarca estão em segundo e terceiro lugares, com 0,265 e 0,267. Na quarta colocação encontra-se a Finlândia com Índice de Gini de 0,278. E no último lugar a Suécia com o Coeficiente de Gini de 0,288.

A Ucrânia é o país mais igual do planeta, com o Índice de Gini de 0,241. O país mais desigual do mundo é a África do Sul, de acordo com os dados de 2015, divulgados no Relatório de Desenvolvimento Humano 2016, do PNUD, com o Coeficiente de Gini de 0,634. O Brasil é o décimo país mais desigual do mundo, com Índice de Gini de 0,515, reflexo de um processo histórico marcado por flagrantes desigualdades, ainda persistente, apesar dos avanços verificados nos últimos 20 anos.

 A Educação de Qualidade é prioridade nos Países Nórdicos

Os resultados dos indicadores de Educação pelo PISA (Programme for International Student Assessment), o maior exame internacional do mundo, revelam que os cinco países nórdicos nas provas de múltipla escolha em Ciências, Matemática e Leitura obtiveram resultados positivos. O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é avaliado trienalmente pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) desde 2000 até os dias de hoje. O PISA é uma grande avaliação internacional dos alunos de 15 anos, em três áreas-chave: Ciências, Matemática e Leitura.

Verificando os resultados no PISA, observamos que a Finlândia, com 338.441 km², obteve o melhor resultado entre os países nórdicos, com 529 pontos, segundo os dados de 2015 da OCDE. Em segundo e terceiro lugares, Dinamarca e Noruega, com 498 e 496 pontos, respectivamente. Na quarta colocação encontra-se a Islândia com 485 pontos. E no quinto e último lugar aparece a Suécia com 493 pontos.

Entre os 70 países analisados pela OCDE, o melhor e o pior resultado do PISA no ano de 2015 são de Singapura e da República Dominicana com 556 e 332 em Ciências, de Singapura e de Kosovo com 535 e 347 em Leitura, e de Singapura e da República Dominicana com 564 e 328 em Matemática. O Brasil passa vergonha no período trienal no ranking da Educação ficando entre os últimos colocados no PISA, atual 65º lugar, devido às provas de Ciências (401 e 64º), Leitura (407 e 60º) e Matemática (377 e 66º).

Na Finlândia, 99% dos jovens concluem o ensino médio, o maior índice global. No Brasil, só 59% completam essa fase escolar até os 19 anos. Os jovens finlandeses colaboram para promover uma nação desenvolvida. Na Finlândia os gastos públicos em educação são de 5,7% do PIB, enquanto no Brasil são de 4,9% do PIB.

A Saúde de Qualidade é prioridade nas Nações Nórdicas

Analisando os resultados nos indicadores de saúde das nações nórdicas constatamos que estão no topo da lista dos países mais desenvolvidos do planeta. Os países nórdicos são conhecidos mundialmente por garantir o Estado de Bem-Estar Social. Com uma elevada carga tributária, em média 45% do PIB nórdico, o Estado garante uma saúde pública de qualidade e gratuita. Infelizmente, no Brasil, os principais agentes econômicos, as famílias e as empresas, gastam muito em 93 tributos (13 impostos, 35 taxas e 45 contribuições de melhoria). Os governos, nos níveis Federal, Estadual e Municipal, não oferecem o retorno social esperado pelas pessoas, sobretudo pelas pessoas de menor renda na saúde pública.

Observando atentamente os indicadores no Quadro 3 abaixo constatamos que os cinco países nórdicos são países de excelente nível nos serviços de saúde, com sua baixa taxa de mortalidade infantil e sua elevada esperanças de vida ao nascer.

A taxa de mortalidade infantil nos países nórdicos é muito baixa. Na Noruega, Terra de Hans Christian Andersen, por exemplo, é de 3 mortes por mil crianças nascidas vivas no ano de 2017. Na Noruega, a licença maternidade é de 12 meses com salário integral e retorno ao trabalho garantido por lei ou optar por receber 80% do salário e permanecer por 15 meses com o bebê recém-nascido em seu lar.

A maior taxa de mortalidade infantil do planeta encontra-se no Afeganistão, na Ásia, com 111 por mil crianças vivas no ano de 2017. No Brasil, o terceiro maior produtor de alimentos da Terra, a taxa de mortalidade infantil apresenta-se em 18 por mil crianças nascidas vivas, segundo os dados de 2017 do CIA World Factbook.

Entre os países nórdicos, a Islândia lidera com expectativa de vida ao nascer de 83 anos. Em segundo, terceiro e quarto lugares, verificamos a Suécia, a Noruega e a Finlândia, com 82 anos, 82 anos e 81 anos, respectivamente. E em quinto e último lugar encontra-se a Dinamarca com expectativa de vida de 80 anos. A maior esperança de vida ao nascer do mundo encontra-se em Mônaco, na Europa, com 89 anos. E a menor expectativa de vida ao nascer do planeta aparece em Chade, na África, com 51 anos. No Brasil, a esperança de vida ao nascer é de 74 anos, conforme os dados de 2017 do CIA World Factbook.

Considerações finais

Os cinco países nórdicos pesquisados, o Reino da Dinamarca, a República da Finlândia, a República da Islândia, o Reino da Noruega e o Reino da Suécia são países de renda elevada, que se cooperam no âmbito do Conselho Nórdico desde 1952 e apresentam similaridades em seus principais índices econômicos, sociais e ambientais e são os melhores índices da Terra nos rankings de qualidade de vida, de corrupção, de inovação, de paz, de prosperidade, de competitividade, de liberdade econômica, de felicidade, de performance ambiental e de igualdade. São números de fazer inveja na atualidade.

Em Copenhague, Helsinque, Reykjavik, Oslo e Estocolmo, capitais dos cinco países, a população nórdica desfruta de excelente qualidade de vida em cidades sustentáveis com uma forte redução das emissões de gases de efeito estufa. Com suas bicicletas os dinamarqueses, finlandeses, islandeses, noruegueses e suecos aproveitam o verão, o inverno, os jardins, os museus, os castelos, as igrejas, as galerias de arte, os parques, as escolas, as universidades (importantíssimas na produção do conhecimento) e, sobretudo, as bibliotecas (milhões de livros são emprestados anualmente). Enfim, o que observamos é a predominância de uma vida tranquila, feliz e sem pobreza nos países nórdicos, repletos de praias, lagos, ilhas e fiordes.

 

[1]Esse elevado nível de paz existente entre os países nórdicos torna ainda mais difícil compreender os atentados ocorridos em 2011 na Noruega cometidos por Anders Behring Breivik, relatados brilhantemente por Asne Seierstad no livro Um de nós (Record, 2016), que resultaram na morte de 69 pessoas, jovens na sua maioria, na ilha de Utøya.

 

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