Roberto Macedo: ‘PIB paulista cresceu mais que o do Brasil em 2017’

03-05-2018

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Recorde-se que a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) é entidade do governo paulista. Nele desempenha papel semelhante ao do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no plano nacional.

Ela divulgou, em fevereiro deste ano, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) estadual relativos ao ano de 2017, notícia que indevidamente recebeu muito pouca atenção da imprensa nacional. No mesmo ano, o crescimento do PIB estadual foi positivo e à taxa de 1,6%, enquanto o PIB do País como um todo teve aumento bem menor, de 1%.

Essa maior taxa em São Paulo é notícia muito importante para a economia estadual e com desdobramentos na nacional, pois nela a produção paulista tem parte de sua demanda, ao mesmo tempo em que a renda gerada pelo no Estado de São Paulo também gera demanda por produtos de outras regiões. Outra implicação importante é o consequente aumento da arrecadação tributária do Estado, que passa por grandes dificuldades fiscais decorrentes da queda do seu PIB, e do nacional, em 2016 e 2018.

Num artigo anterior, divulgado neste portal em julho de 2016, examinei o desempenho da economia paulista relativamente ao da nacional. Na ocasião, com dados disponíveis até o primeiro trimestre daquele ano, elaborei tabela que comparava taxas de variação do PIB trimestral em relação ao mesmo período do ano anterior para o Brasil e o Estado de São Paulo, do primeiro trimestre de 2015 até o primeiro de 2016.

A primeira conclusão foi a de que tanto o PIB do Brasil como o paulista passavam por forte recessão. Mas, nesse contexto, as taxas relativas ao PIB paulista eram um pouco mais negativas do que as do PIB do Brasil em todos os cinco trimestres analisados, com exceção do 3º trimestre de 2015, quando as duas taxas foram iguais.

Também se constatou que o desempenho negativo da economia paulista se estabilizava a partir de abril de 2016, refletindo também o noticiário de âmbito nacional, então indicativo de que a economia brasileira estava alcançando o “fundo do poço”. E mais, textualmente: “Aliás, já se prevê que a partir desse ponto a economia iniciará um período de recuperação, ainda que lenta, havendo estimativas de que seu PIB crescerá em torno de 1% em 2017, como as que são divulgadas semanalmente pelo Boletim Focus do Banco Central.” Essa taxa acabou se confirmando quando o IBGE divulgou, em 2018, os dados relativos ao PIB do ano anterior.

Mas porque a economia paulista sofria mais? A razão apresentada foi a de que uma crise econômica prejudica de modo mais acentuado a demanda de bens de capital, como máquinas, e de consumo durável, como eletrodomésticos. A demanda de bens que atendem necessidades básicas, como alimentos, sofrem menos. E no Estado de São Paulo a participação de sua produção industrial é maior do que noutros Estados, ao mesmo tempo em que é maior a presença desses ramos mais sensíveis em sua indústria.

Com a variação do PIB sendo positiva, e a diferença de taxas do PIB favorecendo São Paulo em 2017, reverteu-se, assim, o que ocorria durante o período de queda do PIB. Outra informação disponibilizada pela Fundação Seade foi a de que o aumento da produção física industrial estadual em 2017 foi de 3,4%, enquanto que a do Brasil cresceu 2,2%. Neste Estado, as maiores taxas ocorreram nos ramos de veículos automotores, reboques e carrocerias (18,3%!), e de equipamentos de informática e de produtos eletrônicos (17,1%).

Passando aos números da receita tributária do Estado, eles foram obtidos no portal da Secretaria Estadual da Fazenda, onde ao concluir este artigo eram disponíveis até o primeiro trimestre de 2018. Mostram que relativamente ao mesmo período de 2017, o total da receita tributária estadual aumentou 6,8% em termos nominais, e 3,9% em termos reais, neste caso descontada a inflação medida pelo IPCA. Quanto ao ICMS, o principal tributo estadual, essas duas taxas foram de 7,5% e 4,6% respectivamente. Ou seja, um crescimento expressivo, e para as contas fiscais paulistas é ótimo que isso esteja acontecendo.

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