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Debate: A beligerância dos candidatos deixou a sociedade mais agressiva em relação às eleições?

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O Estado de S. Paulo

Confira as opiniões dos cientistas políticos Rubens Figueiredo e Marco Antonio Carvalho Teixeira

Não

Rubens Figueiredo, cientista político e organizador do livro Junho de 2013 – A Sociedade Enfrenta o Estado

O Brasil é a sétima economia do mundo, tem uma carga tributária altíssima e uma concentração monumental de recursos nas mãos do governo federal. Por outro lado, a polarização PT x PSDB anima a nossa política desde 1994. Além disso, a personalidade da presidente Dilma Rousseff não é exatamente amistosa, e o partido do senador Aécio Neves está irritadíssimo com as críticas do PT.

Muita coisa em jogo, antagonismo histórico e feridas não cicatrizadas. Neste contexto, seria ingenuidade supor que a campanha fosse pacífica. Não me parece que esse enfrentamento, entretanto, tenha se espalhado pela sociedade. Os eleitores estão manifestando suas diferenças nas urnas e, nas redes sociais, o tom é o que seria de se esperar num confronto dessa natureza.

Eleição não é um jogo de futebol. No campo, jogadores brigando podem incitar a torcida. Na política, não é bem assim. Até porque, somados, simpatizantes do PT e do PSDB quase não ultrapassam 20% do eleitorado, segundo pesquisa realizada no ano passado.

Existe um fosso profundo entre eleitores de Dilma e de Aécio. No 1.º turno, o tucano alcançou 75% dos votos nos Jardins, bairro nobre da cidade de São Paulo, e 6% em todo o Estado de Pernambuco. Na verdade, os eleitores estão mostrando suas divergências nas urnas – e se revelando mais civilizados do que os que querem seu voto.

 

Sim

Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor de Ciência Política do curso de Administração Pública da FGV-SP

Não há eleição igual à de 2014 desde a redemocratização. A começar pela imprevisibilidade do 2.º turno e, agora, com a escolha das urnas refletindo divisões socioeconômicas que também se veem nas desigualdades regionais.

Nesse cenário, caberia aos candidatos expor propostas no sentido de mostrar que, seja quem for o eleito, terá de governar para todos. Mas o que se vê vai na direção oposta e acaba estimulando conflitos e irracionalidades dos respectivos apoiadores. De um lado, ao reivindicar o monopólio da inclusão social para os governos do PT e dizer que tais ganhos correm risco com a vitória do PSDB, Dilma acaba, mesmo que involuntariamente, estimulando ações raivosas contra tucanos, como se estes fossem necessariamente inimigos dos pobres. De outro, quando deixa a impressão de que todos os males do Brasil nasceram com os governos petistas, Aécio acaba, mesmo que indiretamente, dando munição para que a raiva anti-PT se manifeste em palavras como “petralhas” ou contra quem votaria no PT por ser beneficiário das políticas sociais.

Seria civilizatório se ambos promovessem confrontos programáticos e descartassem os conflitos pelo monopólio do bem-estar social ou da moralidade pública. Esses não pertencem a nenhum dos dois. Faria bem para a democracia e ajudaria na concretização de funções da política moderna: debater conflitos, construir consensos e administrar dissensos respeitando a diversidade, seja ela qual for.

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