Luiz Alberto Machado: ‘Teste de memória’

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ARTIGO

 

 

 

Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Peço a você, leitor, que leia atentamente os dois textos que se seguem e procure lembrar onde foi que os viu:

Primeiro texto

“… o sistema de previdência social volta a enfrentar uma nova crise financeira. Renovam-se, então, as versões pessimistas acerca da provável falência da previdência social, decorrente de um plano de benefícios incompatível com as efetivas possibilidades de financiamento. Os críticos da intervenção estatal assentam novamente as suas baterias contra os princípios do “welfare state”. Os adversários da política oficial preferem destacar os efeitos corrosivos da crise econômica sobre as receitas do sistema. Os adeptos do sensacionalismo apontam a corrupção, a fraude e o desperdício.”

Segundo texto

“Uma estratégia de ação econômica para o Brasil envolveria o estabelecimento de um arcabouço institucional adequado ao funcionamento da economia competitiva de mercado. Isso requer uma drástica redução da participação do Estado na vida econômica do País, através da privatização ampla, geral e irrestrita das empresas e monopólios estatais; da desregulamentação cuidadosa, calcada na rica experiência internacional; da redução dos subsídios ao setor privado e da gradual suspensão das medidas protecionistas que tornam a economia brasileira uma das mais fechadas do mundo. É imprescindível também restabelecer um clima de confiança mútua e cooperação entre o Estado e a sociedade civil, com a diminuição da corrupção, do favorecimento de interesses privados e da sonegação fiscal.”

Conseguiu lembrar?

Se está pensando onde foi que leu estes dois textos nos últimos dias e está quase dando um Google para se certificar, esqueça. Ficará decepcionado. Ou, talvez, estupefato ao saber que o primeiro, de autoria de Fernando Rezende, foi publicado em 1984 na Revista de Economia Política, e o segundo, de autoria de Eduardo Giannetti, é parte do livro Liberalismo X Pobreza, publicado em 1989.

Impressionante não é?

Em alguns artigos reproduzidos no livro Uma certa ideia de Brasil, o ex-ministro Pedro Malan, a quem se atribui a afirmação de que “no Brasil até o passado é incerto”, recorre a uma frase de Ivan Lessa, que me parece bastante oportuna: “A cada quinze anos, o Brasil esquece os últimos quinze anos”.

Talvez ainda mais oportuna seja uma frase que ouvi ou li recentemente, embora não saiba exatamente onde: “Quando você viaja por quinze dias, ao voltar pensa que mudou tudo; quando você fica fora por quinze anos, ao voltar tem a sensação de que não mudou nada”.

Coisas de um país chamado Brasil.

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