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O Brasil precisa investir mais em inovação

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ARTIGO

 

Alvaro Prata, engenheiro, foi reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, é membro da Academia Brasileira de Ciências e foi secretário executivo, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, e secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

 

 

Na promoção do desenvolvimento econômico, a inovação significa a descoberta de novos bens, novos métodos de produção, alterações de estrutura de mercado ou outras modificações sensíveis, como a obtenção de resultados derivados do uso criativo, por exemplo, de uma nova fonte de matéria-prima.  Nos últimos anos, a inovação tem tido um destacado protagonismo para a compreensão do crescimento e da competitividade do Brasil.

Inovação vem crescendo acentuadamente dentre as “palavras mágicas” mais usadas como saída para a alavancagem da produção industrial. E em um país como o Brasil, que precisa retomar o seu crescimento e buscar um caminho de desenvolvimento a longo prazo, não poderia ser diferente.

O País investe hoje menos de 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em Pesquisa e Desenvolvimento*, modalidade de gastos que permite, às empresas, por exemplo, apostar em alternativas de manufaturas construídas com base em inovação. Compreendendo-se aqui o termo como os dispêndios realizados a partir de trabalho conjunto entre centros de pesquisa, universidades e empresas com o firme propósito de aproximar os setores privado e público.

O dispêndio em P&D, ou melhor, o investimento em P&D precisa ser ampliado, seguindo a trilha já adotada por outros países. Nos EUA, na Europa e na Ásia a integração entre os setores privado e público, com vistas ao desenvolvimento científico, é intensa.

Na gestão que se encerrou em dezembro no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, buscou-se dar contribuição a essa necessidade com a regulamentação do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovações. Essa iniciativa permite desburocratizar as atividades de pesquisa e inovação, e cria novos mecanismos para incentivar a integração entre instituições científicas e o setor empresarial. Também simplifica a prestação de contas dos projetos de pesquisa e fornece às Instituições de Ciência e Tecnologia uma série de instrumentos para que possam melhor atuar em prol do desenvolvimento científico e tecnológico.

Essa é uma das importantes ações que tivemos na gestão do ministro Gilberto Kassab, além de uma série de outras que vão ao encontro do desenvolvimento da ciência, pesquisa e inovação no País. Tudo em permanente luta por recursos em meio aos contingenciamentos orçamentários enfrentados. Exemplos das realizações alcançadas, dentre tantos outras, incluem:

1 – A entrega do acelerador de partículas Sirius, maior projeto da ciência brasileira, instalado em Campinas (SP);

2 – O empréstimo inédito do BID (US$ 1,5 bilhão) para inovação no País;

3- Os planos de ação em Ciência e Tecnologia, que pude entregar quando na secretaria de Políticas e Programas de Desenvolvimento, em dezembro, e que trazem diretrizes para os investimentos no setor, nos próximos anos.

O presente texto vem em decorrência de uma reflexão surgida a partir de reportagem publicada pelo jornal “Valor Econômico” em 29 de março. Com “Brasil sobe no ranking mundial da ciência”, o jornal aponta que passamos de 3 a 12 nomes de atuantes no País entre os cientistas mais influentes no mundo. Entre os doze, a maioria são médicos, e suas pesquisas trazem aplicações diretas à vida das pessoas. Outros quatro são engenheiros de alimentos e desenvolveram métodos produtivos inovadores, “quebraram a cabeça”, e usaram seu estudo e conhecimento para beneficiar a sociedade. Dois outros tem como foco o meio ambiente – uma pesquisadora atuando nos benefícios da biodiversidade para a agricultura, e outro pesquisador atuando em mudanças climáticas e na preservação da Amazônia. As pesquisas relatadas tiveram e têm um enorme impacto tanto no Brasil como no exterior. Para que possamos ampliar o número de cientistas influentes e permitir que nossa ciência também participe ativamente do nosso desenvolvimento tecnológico e inovação urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações siga forte e atuante.

* Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

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