1. Home
  2. >
  3. Artigos
  4. >
  5. Rafael Auad: ‘O preço da responsabilidade...

Rafael Auad: ‘O preço da responsabilidade fiscal’

Compartilhe
TwitterFacebookWhatsApp

ARTIGO

 

 

 

Rafael Auadcoordenador do PSD Jovem de São Paulo 

 

Eu me lembro dos meus dias como representante discente da Universidade de São Paulo, entre 2014 e 2015.

O orçamento da USP estava comprometido em 110% com a folha de pagamento, muito por conta do inchado número de funcionários. Além disso, as sucessivas quedas na arrecadação do ICMS do Estado (por conta da crise econômica) não colaboravam em nada com o andar da carruagem.

Para quem não está familiarizado sobre como as coisas funcionam, uma breve explicação. As universidades públicas paulistas (USP, UNESP e UNICAMP) são sustentadas com um repasse médio de 9,57% do ICMS arrecado pelo Estado de São Paulo. Como a receita do imposto compõe basicamente todo o orçamento das universidades – dada a pequena participação da iniciativa privada – a queda na arrecadação agrava o quadro fiscal. (Há também o fato de que, dessa forma, toda a população paga para uma pequena parcela poder estudar, mas isso é outra discussão…)

Naqueles dias, era comum que as reuniões do Conselho Universitário fossem bastante agitadas. A proposta de ajuste fiscal da USP cobrava um preço alto, congelando novas contratações no momento em que o número de alunos só aumentava. Além disso, propunha-se também a aprovação do PIDV (Plano de Incentivo a Demissões Voluntárias) com uma lógica simples – demitir agora para poupar no futuro.

Os sindicatos (e alguns alunos), naturalmente, não concordavam com as medidas, e entre inúmeras reuniões turbulentas – algumas violentas até – propunham como alternativa até que se exigisse o aumento do repasse de ICMS para fechar a conta (o que, como vocês devem imaginar, cobraria ainda mais imposto de todos para sustentar uma pequena parcela).

A Reitoria foi firme e o ajuste venceu.

De 2015 pra cá, a relação “alunos x professores” aumentou, ao contrário dos investimentos em pesquisa, permanência estudantil e outros custeios. Contudo, o PIDV fez sua mágica e o número de servidores caiu de 17,4 mil para 13,5 mil.

Essa redução de mais de 20% no número de servidores fez com que a folha de pagamentos passasse (finalmente) a custar menos que 100% do orçamento. Com isso a USP pode voltar a compor suas reservas.

A boa notícia é que a USP, depois de 3 anos de aperto, prevê o primeiro superávit em cinco anos (leia aqui reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo) e já coloca adiante as novas contratações (de forma responsável, é claro.)

Ter responsabilidade fiscal é como manter uma poupança: no dia a dia tem um preço alto, mas no longo prazo torna-nos mais prósperos.

A USP está de parabéns por ter levado adiante seu plano de ajuste fiscal. O Brasil poderia aprender com o exemplo.

  0 Comentários

  Publicações

  Para pensar