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Roberto Macedo: ‘PIB paulista cresceu quase duas vezes mais que o brasileiro’

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Artigo

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

O gráfico abaixo foi o primeiro que vi numa mensagem recente da Fundação SEADE, a entidade estadual que recolhe e analisa dados sobre a economia paulista, fazendo, nesse âmbito, um trabalho similar ao do IBGE no plano nacional.

Com a cabeça mais voltada para a análise macroeconômica do País, olhei logo o gráfico sem prestar maior atenção no título e suas legendas, observando mais as pontas do lado direito das duas linhas, e pensei que representavam, a de cima, o cenário do PIB do Brasil em 2019, e a de baixo o mesmo cenário em 2018, pois as previsões atuais, como as do Boletim Focus do Banco Central, apontam para um crescimento perto de 1,5% em 2018 e 2,5% em 2019. Mas em seguida examinei com cuidado as duas linhas e vi que a que levava a um crescimento de 2,5% era a de 2018, e que a de um crescimento de 1,5% era a de 2019. Ou seja, o contrário do que imaginava. Fui ao título e aí caiu a ficha, pois as linhas representavam os cenários para as taxas de crescimento do PIB paulista e não do nacional, com dados já levantados até junho deste ano.

Então, o que me chamou a atenção foi que a previsão para o PIB paulista em 2018 mostra o que coloquei no título deste artigo, ou seja, um desempenho desse PIB próximo do dobro do previsto para o do País neste ano. Em busca do porque dessa grande diferença, lembrei-me de um artigo meu publicado neste site em maio do ano passado, no qual também examinei o desempenho da economia paulista relativamente ao da nacional. Reproduzindo trechos do mesmo artigo, com dados disponíveis até o primeiro trimestre do mesmo ano, elaborei tabela que comparava taxas de variação do PIB trimestral em relação ao mesmo período do ano anterior para o Brasil e o Estado de São Paulo, do primeiro trimestre de 2015 até o primeiro de 2016.

A primeira conclusão foi a de que tanto o PIB do Brasil como o paulista passavam por forte recessão. Mas, nesse contexto, as taxas relativas ao PIB paulista eram um pouco mais negativas do que as do PIB do Brasil em todos os cinco trimestres analisados, com exceção do 3º trimestre de 2015, quando as duas taxas foram iguais.

Mas por que a economia paulista sofria mais? A razão apresentada foi a de que uma crise econômica prejudica de modo mais acentuado a demanda de bens de capital, como máquinas e equipamentos, e de consumo durável, como eletrodomésticos. A demanda de bens que atendem necessidades básicas, como alimentos, sofrem menos. E, no Estado de São Paulo, a participação de sua produção industrial é maior do que noutros Estados, ao mesmo tempo em que é maior a presença desses ramos mais sensíveis em sua indústria.

A partir do final de 2017, um ano em que o crescimento do PIB brasileiro voltou a taxas positivas, passou a acontecer o inverso. Ou seja, numa fase de recuperação a demanda de produtos industriais, em particular dos bens de capital e de consumo durável, passou a crescer mais do que a de outros setores mais voltados para necessidades básicas, como alimentos.

A Fundação Seade também mostrou isso por meio do gráfico que se segue, onde a recuperação mais forte do setor industrial em 2918, em particular da indústria de transformação é evidente.

Contudo, esse gráfico vê os setores de forma agregada.  Indo ao detalhe da indústria, obtive o gráfico abaixo, do IBGE, referente à variação da produção física por ramos de atividade no último mês de outubro. 

PESQUISA INDUSTRIAL MENSAL – PRODUÇÃO FÍSICA
Taxa de variação mensal – Outubro de 2018

Esse gráfico mostra que o desempenho da indústria automobilística, predominantemente localizada no Estado de São Paulo, teve um desempenho excepcional, crescendo 12,1% num único mês, vindo em seguida o de produtos de metal, com aumento de 8,8%.  Na ponta de baixo, destaca-se a queda da produção de alimentos industrializados, e há também a presença de bebidas e confecções, mais ligados a necessidades básicas. 

O maior crescimento do PIB em São Paulo é notícia muito importante não apenas nesse âmbito geográfico, mas tem também desdobramentos no plano nacional, pois nele a produção paulista tem parte de sua demanda de insumos, ao mesmo tempo em que a renda gerada no Estado de São Paulo também gera demanda por produtos de outras regiões. Outra implicação importante é o consequente aumento da arrecadação tributária do Estado, que também passa por dificuldades fiscais decorrentes da queda do seu PIB em 2015 e 2016, ainda que não tão sérias como as de Estados como Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul, nesses casos também agravadas por questões atuantes no plano estadual.  

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