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Rogério Schmitt: ‘O desafio da participação dos jovens na política brasileira’

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Rogério Schmitt, doutor em Ciência Política e responsável pelo Núcleo de Formação do Espaço Democrático

A evolução demográfica brasileira mostra uma tendência clara de envelhecimento da população. Este é o efeito conjunto, por um lado, do aumento da expectativa de vida e, por outro lado, da redução da taxa de natalidade. Historicamente, de acordo com os censos populacionais do IBGE, os jovens entre 15 e 24 anos representavam cerca de 20% da população brasileira. No Censo de 2010, essa proporção já caiu para menos de 18%.

O reflexo deste fenômeno demográfico na política eleitoral se dá na direção esperada. O eleitorado jovem (15 a 24 anos) vem tendo um peso decrescente no eleitorado como um todo. O Gráfico 1 mostra, em termos percentuais, o peso do voto jovem nas oito últimas eleições realizadas no país, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral.

 

gráfico jovens 1

Participação (%) dos jovens no eleitorado brasileiro (2000-2014)

 

 

Entre as eleições de 2000 e 2004, o voto jovem ainda oscilava em torno de 20% do total, sem uma tendência clara de aumento ou de diminuição. No entanto, a partir das eleições de 2006, o peso do voto jovem vem caindo continuamente, sem interrupções. No ciclo eleitoral do ano passado, apenas 16,7% dos eleitores aptos a votar estavam na faixa etária dos 15 aos 24 anos.

Isto não significa dizer que o voto jovem deva ser desconsiderado. Em números absolutos, eles ainda representam quase 17 milhões de eleitores espalhados pelo país. Mas, em contrapartida, o peso do voto jovem nunca foi tão baixo como é atualmente. No Brasil há hoje mais eleitores com idade acima de 60 anos do que eleitores jovens. E não parece que esta tendência vá se reverter no futuro.

Em outras palavras, a redução quantitativa do voto jovem é algo que veio para ficar. Mas este desafio também abre algumas oportunidades. É possível perceber, nos últimos anos, que a participação política dos jovens tem aumentado significativamente do ponto de vista qualitativo. Os mais jovens, na comparação com os mais velhos, têm se mostrado muito mais ativos, por exemplo, nas manifestações de rua e nas redes sociais.

Outra constatação muito reveladora e interessante pode ser feita com base nas próprias estatísticas oficiais do TSE. O Gráfico 2 mostra o número absoluto de jovens de 16 e de 17 anos aptos a votar nos oito últimos anos eleitorais. Como se sabe, na faixa etária com menos de 18 anos, o alistamento eleitoral é facultativo. Assim, a quantidade de jovens dispostos a votar pela primeira vez é um indicador confiável do interesse destes adolescentes pela política eleitoral.

gráfico jovens 2

Número absoluto (em milhões) de jovens de 16 e 17 anos no eleitorado brasileiro (2000-2014)

 

Podemos constatar uma regularidade politicamente relevante: o alistamento de novos eleitores foi sistematicamente superior nas eleições municipais (2000, 2004, 2008 e 2012) do que nos demais anos eleitorais. O padrão é nítido: os mais jovens sempre se interessam mais em escolher prefeitos e vereadores do que em votar para os demais cargos políticos (inclusive presidente).

A política nas cidades é, de fato, não apenas o primeiro degrau da carreira política como também a que mais motiva os eleitores que estão iniciando a sua trajetória de cidadãos. Em 2016, teremos novamente eleições municipais. Eis aí uma excelente oportunidade para a manifestação política da juventude brasileira.

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