Alternativas para combater o crime

27-05-2013

Mudar o foco das políticas de combate às drogas foi uma das propostas discutidas nesta segunda-feira (27) no debate “Mais rigor contra o crime – em discussão, ideias para reduzir a violência nas ruas”, promovido pelo Espaço Democrático dentro do ciclo “Desatando os nós que atrasam o Brasil”. Transmitido ao vivo pela internet, o evento foi o décimo de uma série que desde dezembro passado vem analisando ideias que poderão fazer parte do programa partidário do PSD.

Daniel Cerqueira, Alfredo Cotait, Kassab e Beltrame: propostas para reduzir a violência.

Desta vez, foram convidados para o debate dois especialistas de larga experiência em segurança: o secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e o diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Daniel Cerqueira, autor de diversos e importantes estudos sobre a criminalidade no Brasil.

O evento teve a participação do presidente nacional do PSD, ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que destacou a importância do tema segurança pública para todos os brasileiros e o esforço que o partido vem fazendo para desenvolver propostas que possam de fato contribuir para garantir a tranquilidade de toda a população brasileira, criando condições para o efetivo desenvolvimento do País. Ele também conclamou filiados e militantes do PSD em todo o Brasil a participarem ativamente do debate, assistindo aos eventos transmitidos pela internet e enviando perguntas e sugestões aos debatedores.

Como nos eventos anteriores, grupos de militantes e líderes regionais reuniram-se em diversos locais para assistirem juntos ao debate. Desta vez, houve também a participação de líderes do PSD como o presidente do partido no Estado do Rio de Janeiro, Indio da Costa, e o prefeito de Mogi das Cruzes, de São Paulo, Marco Bertaiolli. Eles enviaram perguntas gravadas em vídeo para os debatedores. Em Goiânia, além de filiados do partido, participaram também diversas autoridades do Governo do Estado e do alto comando das polícias civil e militar.

Debate foi transmitido ao vivo pela internet

Debate foi transmitido ao vivo pela internet

Durante o debate tanto o pesquisador Daniel Cerqueira quanto o secretário José Beltrame concordaram que a atual política de repressão à oferta de drogas não vem funcionando a contento, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Dessa forma, defenderam a ideia de que é preciso estudar e conhecer as causas que levam os jovens a se aproximar das substâncias tóxicas, desenvolvendo-se maneiras de se evitar essa aproximação. “Já que não estamos tendo resultados satisfatórios na repressão à oferta de drogas, devemos buscar formas de reduzir a demanda, para atacar esse problema que está na raiz de grande parte dos atos violentos e criminosos”, disse Beltrame.

O secretário fluminense defendeu também uma maior participação do governo federal na formulação e operacionalização das políticas de segurança, especialmente nas regiões mais pobres do País. “Foi um erro da Constituição de 1988 delegar apenas aos Estados a responsabilidade pela segurança pública. Por isso, hoje temos graves deficiências nessas áreas. O governo federal precisa assumir seu papel nesse processo”, afirmou.

Daniel Cerqueira, por sua vez, lembrou que atos violentos como os homicídios tem alto custo econômico, além do emocional, e é um fator que impede o pleno desenvolvimento do País. “Estudos mostram que os 53 mil homicídios que ocorrem anualmente no Brasil representam um desperdício de R$ 110 bilhões para a Nação. É um custo muito alto, que precisa ser reduzido”, afirmou.

Tanto Cerqueira como Beltrame concordaram que um dos fatores que podem contribuir para isso é a redução da sensação de impunidade. “Hoje, em média, apenas 8% dos homicídios são elucidados. O Brasil precisa investir em tecnologia, logística, capacidade gerencial e, evidentemente, em melhorias salariais, para aumentar a taxa de elucidação dos crimes”, disse Beltrame, lembrando que só assim será possível atender à demanda da sociedade por ações rápidas no campo da segurança.

Assista aqui à integra do debate.