Clubes são culpados pela decadência do futebol. E também vítimas

12-08-2014

Rubens Figueiredo, Antônio Moreno Neto, Amir Somoggi e Marco Aurélio Cunha.

Os clubes de futebol brasileiros são, ao mesmo tempo, heróis e vilões de si mesmos no processo de decadência que o esporte vive no País, especialmente depois do fracasso na Copa do Mundo que jogou em casa. São vilões por não terem gestões responsáveis, e heróis por conseguirem resistir há tanto tempo, como poucas instituições privadas ​f​oram capazes.

Esta foi uma das conclusões do debate “Clubes de futebol são heróis ou vilões?”, realizado na noite desta segunda-feira (11) pelo Espaço Democrático – a fundação do PSD para estudos e formação política. Este foi o 18º encontro do ciclo “Desatando os nós que atrasam o Brasil”, iniciado no final de 2011.

 Veja, em vídeo, o depoimento dos participantes sobre o debate: 

Participaram do encontro, transmitido em tempo real pela internet no site nacional do PSD,  o vereador paulistano Marco Aurélio Cunha (PSD), que foi dirigente do São Paulo Futebol Clube; o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi; o ex-secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação do município de São Paulo Antônio Moreno Neto, que foi presidente do Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo; e o deputado federal Guilherme Campos (PSD-SP) .

Administrar o clube com racionalidade e responsabilidade, diante das pressões de torcedores para montar times competitivos e com grandes jogadores é, segundo Marco Aurélio Cunha, uma das maiores dificuldades que os dirigentes de clubes enfrentam. Ele contou a recente conversa que teve com diretores do Flamengo, que está fazendo esforços para zerar dívidas e obter certidões negativas de débitos fiscais. “Ouvi depoimentos de arrependimento;  eles dizem que estão salvando o clube, mas como têm que sacrificar o time, são taxados de péssimos dirigentes”. O ex-dirigente do São Paulo lembrou que muitas vezes nem mesmo outros diretores apoiam a austeridade de gestão.

O deputado Guilherme Campos: proposta exige Certidão Negativa de Débitos Fiscais dos clubes

O deputado Guilherme Campos falou sobre alguns pontos da proposta que está tramitando na Câmara Federal,  para refinanciar as dívidas fiscais dos clubes. Segundo ele, uma das mais importantes alterações propostas é a da exigência da CND (Certidão Negativa de Débitos Fiscais) dos clubes no início de cada campeonato. “Quem não estiver em dia automaticamente será rebaixado de divisão”, disse. Campos disse que a ideia já foi aprovada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), federações estaduais e clubes. Mas o projeto ainda deve render  muitos debates em Brasília.

Para o ex-presidente do Clube Pinheiros Antônio Moreno Neto, “os clubes investem exagerada e irresponsavelmente para atender aos torcedores, sacrificando a gestão e o cumprimento das obrigações”. Para ele, a solução passa por profissionalizar a administração.    

Amir Somoggi: TV pode estimular competitividade dos clubes

O consultor Amir Somoggi, por sua vez, apontou a necessidade de estimular a competitividade dos clubes, e destacou que a televisão pode ter participação importante neste processo. “Na Itália, a diferença de cotas entre um grande clube e um pequeno é de duas vezes e meia a três, enquanto no Brasil chega a dez”. Moreno Neto destacou que os clubes se tornaram reféns da televisão, e lembrou o recente episódio envolvendo o Metrô de São Paulo, que teve de alterar o horário de funcionamento da linha que atende a Arena Corinthians nos dias em que os jogos começam às 22h. “Não se muda o horário do jogo por causa da novela, em prejuízo de milhares de pessoas”.

Respondendo à pergunta de uma torcedora consultada nas ruas, Marco Aurélio manifestou o temor de que o Brasil deixe de produzir talentos por falta de investimentos. A CBF, segundo ele, “deve se preocupar em repassar recursos para fortalecer as séries C e D” e os clubes que estão fora do eixo principal. “São Paulo não tem mais espaços para formar talentos, só tem escolinhas que formam atletas, sem talento”.  

O debate foi conduzido pelo jornalista Sérgio Rondino e teve a participação do cientista político Rubens Figueiredo, coordenador de conteúdo do Espaço Democrático. O ciclo “Desatando os nós que atrasam o Brasil” já está em seu terceiro ano. O propósito é reunir sugestões para solucionar os grandes problemas que travam o desenvolvimento econômico e social do País. Desde o final de 2011 foram debatidos temas como saúde, educação, segurança pública, empreendedorismo, economia criativa e qualidade de vida, entre outros. O propósito da série de debates é sugerir ideias e propostas que podem ser encampadas pelo partido.