Afif discute avanço do empreendedorismo nas favelas

11-04-2017

Guilherme Afif, presidente da Fundação Espaço Democrático

 

A ligação do PSD com propostas de estímulo ao empreendedorismo foi relembrada mais uma vez nesta terça-feira (11) em reportagem publicada no jornal Valor Econômico. Assinado pelo jornalista Raymundo Costa, o texto anuncia que o governo federal espera entregar um projeto de massificação do empreendedorismo nas favelas brasileiras, nos próximos 30 dias.

De acordo com a matéria, o programa está em fase final de formatação e ganhou força depois que uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, mostrou que o morador da periferia de São Paulo apoia os programas sociais, marca registrada do partido, mas valoriza, sobretudo, a iniciativa e o esforço pessoal para vencer na vida sem ser atrapalhado pela máquina de Estado, que em geral considera ineficaz.

Os resultados da pesquisa, escreve o jornalista, chamaram a atenção de um antigo cultor do empreendedorismo: o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, um dos fundadores do PSD e presidente do Espaço Democrático. Em proposta que já começou a discutir com movimentos sociais, Afif quer incentivar a adesão em larga escala ao Microempreendedor Individual (MEI), um programa de incentivos a microempresas com faturamento de até R$ 60 mil.

A reportagem informa que o programa do presidente Michel Temer, que avalizou a proposta de Afif, deve começar por São Paulo, pelas favelas de Heliópolis e Paraisópolis.

“O sonho do proletariado é ser pequeno burguês”, diz Afif Domingos, “é ser o patrão de si mesmo”. Segundo Afif, há hoje no país 16 milhões de pessoas vivendo em favelas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um cálculo que considera conservador: pelos critérios do instituto, por exemplo, Cidade de Deus (RJ) não é uma favela. Mas para o governo tem o público-alvo merecedor da atenção do MEI turbinado.

Afif diz querer entrar na favela com “soluções” para que o aspirante a empreendedor identificado pelo PT possa viabilizar seu negócio e não como o Estado que “cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou “sufocar” a atividade das empresas” – a queixa recorrentes dos entrevistados da pesquisa.

O programa ainda está sendo desenhado, mas uma questão básica é a da propriedade. A legislação brasileira não permite a regularização de empresas em invasões, por exemplo, muito comum em favelas. “O que nós vamos fazer é desconectar a regularidade do imóvel da regularidade da empresa”, diz Afif Domingos, sem no entanto revelar qual vai ser o pulo do gato. Outra ideia é treinar o pessoal da própria favela como orientadores do Sebrae para a abertura dos pequenos negócios.