As relações da política com as redes sociais

21-03-2018

 

 

 

O Facebook está no centro de um escândalo que atinge não só a empresa, uma das mais valiosas do mundo, mas as redes sociais de uma forma geral. O jornal americano New York Times publicou no final de semana denúncia segundo a qual a empresa Cambridge Analytica, que em 2016 trabalhou na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, teve acesso a informações de 50 milhões de eleitores com perfis no Facebook e usou seus dados para criar ferramentas com a finalidade de prever e influenciar o voto das pessoas.

O escândalo, que pode colocar em cheque as relações das redes sociais com a política, levanta suspeitas sobre a segurança das informações fornecidas por usuários e afetou até mesmo a economia: nos últimos dias, o Facebook perdeu US$ 36 bilhões em valor de mercado com a queda do preço de suas ações na Nasdaq – a bolsa de empresas de tecnologia do mercado americano, que teve forte queda.

A denúncia foi feita pelo canadense Christopher Wylie, programador que ajudou a coletar os dados quando trabalhou na Cambridge Analytica. “Exploramos o Facebook para roubarmos milhões de perfis de utilizadores. E construímos modelos para explorarmos aquilo que sabíamos sobre eles”, disse Wylie.

Na origem do vazamento dos dados está um teste feito por usuários do Facebook com perguntas sobre personalidade. As respostas permitiam construir o perfil do internauta. O teste foi feito efetivamente por 270 mil usuários do Facebook, mas como a Cambridge Analytica conseguia informações da rede dos amigos dos usuários testados, acabou com acesso a 50 milhões de perfis.

O Facebook não admite que tenha vendido as informações. Considera que foi alvo de uma fraude e nega as acusações de que se trata de uma falha de segurança. A empresa anunciou que proibiu o acesso da Cambridge Analytica à sua plataforma.

Parlamentares britânicos e americanos pediram explicações a Mark Zuckeberg, criador e principal executiva do Facebook e os Estados Unidos já abriram investigação contra a empresa.

O escândalo motivou a criação de um movimento chamado #deleteFacebook, que estimula as pessoas a abandonarem a rede social. A hashtag apareceu entre os principais tópicos do Twitter e ganhou um representante de peso: Brian Acton, cofundador do WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas vendido para o próprio Facebook em 2014. Acton escreveu “É hora”, seguido pela hashtag #deleteFacebook.