Crise cria oportunidade para as reformas

10-03-2017

 

Em artigo publicado em O Globo na quinta-feira (9), o jornalista Carlos Alberto Sardenberg analisa as dificuldades do governo Temer para aprovar as reformas econômicas. Para ele, é mesmo difícil convencer alguém a trocar uma aposentadoria integral aos 50 anos por uma lei que exige trabalhar 49 anos para se aposentar aos 65, mas é tarefa dos líderes nacionais convencer a sociedade da importância dessa mudança.

Sardenberg lembra que, na edição em que trata da eleição francesa, a revista The Economist fez uma comparação exemplar. Em 2002, citou a revista, Alemanha e França tinham renda per capita equivalente. Naquele ano, o esquerdista Gerhard Schröder, do Partido Social Democrata, iniciou um programa de reformas de modo a recuperar a ameaçada competitividade da economia alemã. Na França, Jacques Chirac, da direita, falou em reformas, mas recuou diante das dificuldades políticas.

Hoje, o poder de compra dos alemães é 17% superior ao dos franceses. Os custos trabalhistas caíram na Alemanha e subiram na França. Assim, o desemprego, que era parecido nos dois países, caiu para 4% na Alemanha e permaneceu nos 10% na França, sendo de 25% entre os jovens de menos de 25 anos.

Em seu artigo, Sardenberg prossegue enfatizando que Chirac não fez as reformas porque cedeu à pressão da esquerda, dos sindicatos e dos populistas, para sustentar a “proteção e os direitos sociais dos trabalhadores”. Resultado concreto, 15 anos depois, de acordo com “The Economist”, uma geração de jovens franceses cresceu à margem do famosamente protegido mercado de trabalho nacional.

Segundo Sardenberg, o Brasil tem hoje uma situação econômica tão ruim que cria a oportunidade para as reformas. Lembra que o presidente Temer e o ministro Henrique Meirelles têm procurado aproveitar a circunstância, com o discurso de que, ou saem as reformas já ou o país não retoma o crescimento e quebra mais à frente, quando o ajuste será feito da pior maneira possível.

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