De Marceline para o mundo

11-10-2017

 

 

Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

“Gosto do impossível porque lá a concorrência é menor”.
Walt Disney

 

O título deste artigo integra o título completo de um livro lançado em 2016 pela Editora Senac, que conta a história de um dos maiores ícones do mundo do entretenimento.

Walt Disney: de Marceline para o mundo – o palco de sonhos, este o título completo, foi escrito por um empresário brasileiro que atua no ramo da educação corporativa, onde aplica muitos dos ensinamentos adquiridos nos anos em que trabalhou no Grupo Disney, no qual chegou, inclusive, a ser professor regular da Disney University, além de ministrar palestras no Disney Institute.

Embora o autor, Claudemir Oliveira, afirme não se tratar de uma biografia de Walt Disney – por existirem disponíveis algumas bem mais completas –, a leitura do livro permite ter uma boa noção da trajetória pessoal de Disney.

O que o autor afirma pretender, obtendo pleno êxito em sua pretensão, é mostrar como se deu a construção de um dos mais bem sucedidos grupos empresariais de todo o mundo, chamando atenção para as enormes dificuldades enfrentadas ao longo dessa trajetória.

A Marceline do título é o nome de uma pequena cidade norte-americana, próxima de Kansas City, na qual Walt Disney viveu por cinco anos na sua infância. Esses anos são considerados por Walt Disney como os mais felizes de sua vida, razão pela qual ele se utilizou de lembranças dessa época e partes da cidade como inspiração para várias atrações de seus parques temáticos.

Mesmo se declarando ardoroso admirador de Walt Disney, o autor tem o grande mérito de não se limitar a indicar apenas os aspectos favoráveis da personalidade de Disney, mencionando também alguns traços questionáveis e dificuldades que ele possuía, como, por exemplo, o de fazer elogios públicos a seus colaboradores.

Dos inúmeros pontos que me agradaram no livro, gostaria de encerrar este pequeno artigo mencionando três deles: o primeiro diz respeito à obsessão de Walt Disney com a busca da perfeição em todos os seus projetos, começando pela produção de seus filmes e chegando à construção e manutenção dos parques e hoteis; o segundo reside na sua capacidade de ser criativo, mesmo que para isso fosse necessário correr riscos na busca do aparentemente impossível; o terceiro, por fim, refere-se ao seu incrível poder de antecipação, pois teve a clara percepção – que muitos não têm até hoje – de que o objetivo a ser buscado por qualquer empresa não deve se limitar a oferecer bens ou serviços de qualidade para atender as expectativas de seus clientes, mas sim de superá-las.

A meu juízo, isso implica em “encantar” os clientes, única forma de garantir a fidelização dos mesmos num mundo altamente competitivo. De minha parte, sendo bastante rigoroso, quando penso em produtos ou marcas que têm esse poder de me encantar, apenas dois me vêm imediatamente à cabeça, o Cirque du Soleil e o mundo de sonhos criado por Walt Disney.