Filme americano lembra terrorismo de esquerda nos Estados Unidos

11-09-2017

 

Imagine a tristeza de perder um filho ou filha, na flor da juventude, para um grupo de terroristas fanáticos. Lançado este ano (pode ser visto no Netflix), o filme Pastoral Americana trata desse tema – e não poderia haver época mais apropriada para o cinema americano colocar esse drama nas telas: a história faz pensar nas centenas e centenas de casais europeus que têm perdido seus filhos jovens para diversas organizações terroristas árabes, e até para facções neonazistas.

Organizado e produzido pelo jornalista Sérgio Vaz, o site 50 Anos de Filmes lembra que o terrorismo de esquerda nos Estados Unidos – que antecedeu em alguns anos a atuação das Brigadas Vermelhas na Itália e do grupo Baader-Meinhoff na Alemanha – não tem sido muito retratado pelo cinema. Escreve Sérgio Vaz:

“Os alemães fizeram belos, importantes filmes sobre seu próprio terrorismo doméstico de esquerda (O Grupo Baader-Meinhoff, de 2008, O Fim de Semana, de 2012), assim como os italianos (Il Caso Moro, de 1986, Bom Dia, Noite, de 2003), para citar só uns poucos.

O cinema americano, tão prolixo, tão poderoso – só a Índia produz mais filmes anualmente que os Estados Unidos –, no entanto, trata bem pouco do assunto. A rigor, me ocorrem apenas O Peso de um Passado/Running on Empty, Sem Proteção/The Company You Keep e O Sequestro de Patty Hearst/Patty Hearst.

Neste último, de 1988, dirigido por Paul Schrader, Natasha Richardson interpreta a Patricia Hearst do título, a jovem neta do magnata da imprensa William Randolph Hearst, que em 1974 foi sequestrada por uma organização terrorista chamada Exército Simbionês de Libertação, submetida a um processo de lavagem cerebral e depois tornada uma das “guerrilheiras” que participaram de assalto a banco em San Francisco.

Em O Peso de um Passado, de 1988, o grande Sidney Lumet conta a história de um casal (interpretado por Christine Lahti e Judd Hirsch) que, na juventude, havia participado de ações armadas de grupos radicais de esquerda; fichados pelo FBI, e condenados a penas que não prescrevem, por mais tempo que passe, os dois vivem adotando novas identidades e fugindo de um lugar para outro, à medida em que permanecer em determinada cidade começa a apresentar algum risco de serem descobertos. A trama se concentra no filho do casal, um jovem talentoso, que não consegue ter amigos, já que está sempre mudando de cidade. River Phoenix faz o garoto, em uma das melhores interpretações de sua carreira curtíssima.

Sem Proteção, de 2012, dirigido por Robert Redford, vai fundo na vida de alguns ex-terroristas do grupo Weather Underground, interpretados pelo próprio Redford, Susan Sarandon e Julie Christie. O filme começa com a personagem de Susan Sarandon resolvendo se entregar 30 anos depois de ter participado de uma ação armada em que foi morto um policial.

É pouco filme para um assunto tão importante.”

Para ler o texto completo de Sérgio Vaz no 50 anos de Filmes, clique aqui