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Os homens precisam comprar a briga pelas mulheres, diz educador

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Direitos femininos

A violência contra mulheres não é apenas um problema social a ser combatido, mas também de caráter econômico. É o que diz o educador americano Jackson Katz, de 55 anos, que é mestre em educação pela Universidade de Harvard. Segundo ele, a igualdade entre gêneros poderia aumentar o PIB mundial em nada menos do que US$ 28 trilhões até 2025. Katz foi entrevistado pela revista Veja e suas colocações sobre o tema foram divulgadas nas páginas amarelas da edição do último final de semana (9 e 10 de janeiro).

O educador foi um dos criadores de um dos mais influentes programas de prevenção contra assédio e abuso sexual nos Estados Unidos, o Mentors in Violence Prevention. Mas não é só isso: já escreveu dois livros sobre o tema e debate o assunto em palestras ministradas em escolas, universidades e empresas, não só nos EUA, mas em outros países.

A melhora econômica a partir de uma sociedade mais igualitária entre homens e mulheres seria resultado de uma melhora na qualidade de vida da sociedade. “Um jeito de fazer isso é melhorar a vida das mulheres”, afirmou o Katz. “Imagine o benefício que teriam os filhos de mulheres que sofreram violência, se tivessem crescido com mães que não precisassem lidar com essa situação”, explicou. De acordo com o estudo citado por ele, no Brasil, a economia ganharia em 10 anos, US$ 850 bilhões, um crescimento de 30% do PIB nacional.

Para Katz, o fim da violência contra as mulheres deve ser iniciativa dos homens. “A violência e a desigualdade entre os gêneros não são questões femininas. São masculinas, já que os homens formam o maior grupo que pratica essa violência”, avaliou. E o caminho para isso? Alterar os estereótipos da masculinidade: “Homens com crenças tradicionais sobre o papel do macho têm muito mais probabilidade de se tornar violentos do que homens educados em ambientes igualitários”. Ele acrescentou: “As informações passadas pela sociedade constroem hábitos, parecem autorizar determinadas posturas. Pais e mães, a cultura esportiva, a pornografia, a religião, a educação – tudo isso contribui para alimentar as agressões.”

No Brasil, o educador citou uma pesquisa realizada a pedido da Avon para avaliar o ambiente universitário brasileiro. Nela, 38% dos estudantes entrevistados admitiram já ter cometido alguma forma de abuso contra a mulher no ambiente universitário, e que alguns comportamentos sequer foram considerados abusivos. Por exemplo, 27% dos homens disseram que aproveitar-se de uma mulher alcoolizada não é um ato de violência. E pior: 31% deles não viam problema em divulgar fotos e vídeos de suas colegas sem o consentimento delas.

“As mulheres não atraem violência. São os homens que têm que estar no centro da preocupação. Os homens precisam comprar essa briga”, defendeu Katz. Ou seja, eles precisam se envolver e defender políticas que as defendam da violência e que busque igualdade salarial, entre outros direitos.

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