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Populações meridionais do Brasil, um clássico

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PARA PENSAR

O clássico Populações Meridionais do Brasil, de autoria do professor, jurista, historiador e sociólogo brasileiro Francisco José de Oliveira Viana (1883/1951), é uma das referências tomadas pelo economista Luiz Alberto Machado no artigo Interpretações do Brasil – Uma antologia, que abriu a nova série lançada pela Fundação Espaço Democrático, para oferecer uma visão geral das principais correntes de interpretação do Brasil e também dos principais debates que permearam a nossa História política, econômica, cultural, social e antropológica.

No texto abaixo, o professor e historiador Antônio Paim resenha Populações Meridionais do Brasil, livro que já caiu em domínio público e pode ser baixado, na sua versão em PDF, diretamente na biblioteca do Senado Federal, neste link. Resenhas de outros livros usados por Luiz Alberto Machado em seu Interpretações do Brasil – Uma antologia serão publicadas no site do Espaço Democrático.

Populações meridionais do Brasil
Antônio Paim, professor e historiador.

Francisco José Oliveira Vianna

Francisco José Oliveira Vianna nasceu em Saquarema, Estado do Rio de Janeiro. Concluiu curso de direito em 1905, ingressando no Corpo Docente da Faculdade em 1916. Seu primeiro livro – Populações Meridionais do Brasil – é de 1920, quando completou 37 anos. Ainda em 1920 publicou O idealismo na Constituição. Nos anos 1929 adquiriu grande nome.

Depois da Revolução de 1930 tornou-se consultor da Justiça do Trabalho, tendo atuado na estruturação do Direito do Trabalho brasileiro e dos institutos correspondentes. Em 1940 passou a integrar o Tribunal de Contas. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Faleceu aos 68 anos de idade.

Em Populações Meridionais do Brasil distingue três tipos diferentes no País – o sertanejo, o matuto e o gaúcho. Os principais centros de formação do matuto são as regiões montanhosas do Estado do Rio, o grande maciço continental de Minas e os platôs agrícolas de São Paulo. Exerce influência poderosa no curso histórico seguido pelo País.

Seu objetivo é chamar a atenção para a realidade circundante autêntica e denunciar o vezo de copiar instituições europeias. A esse propósito escreve:

“O sentimento das nossas realidades, tão sólido e seguro nos velhos capitães gerais, desapareceu, com efeito, das nossas classes dirigentes: há um século vivemos praticamente em pleno sonho. Os métodos objetivos e práticos de administração e legislação desses estadistas coloniais foram inteiramente abandonados pelos que têm dirigido o País depois da independência. O grande movimento democrático da Revolução Francesa; as agitações parlamentares inglesas; o espírito liberal das instituições que regem a república americana, tudo isto exerceu e exerce sobre nossos dirigentes, políticos, estadistas, legisladores, publicistas, uma fascinação magnética que lhes daltoniza completamente a visão nacional dos nossos problemas. Sob esse fascínio inelutável, perdem a noção objetiva do Brasil real e criam para uso deles um Brasil artificial e peregrino, um Brasil de manifesto aduaneiro, made in Europa, sorte de Cosmorama extravagante. Sobre o fundo de florestas e campos, ainda por descobrir e civilizar, passam e repassam cenas e figuras tipicamente europeias.”

Dessa indicação resulta Instituições políticas brasileiras, onde recomenda intervenção radical pelo Estado, destinada a promover a industrialização do país e a criação de bases sociais aptas a sustentar governos liberais, singularidade que levou Wanderley Guilherme dos Santos a batizá-lo como autoritarismo instrumental.

Indicações de ordem bibliográfica encontram-se em Proyecto Ensayo Hispanico, da autoria de Ricardo Velez Rodriguez.

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