Agronegócio precisa de sustentabilidade e infraestrutura

04-08-2017

Wedekin: Brasil manteve quadro favorável nos últimos anos, com boa oferta de crédito, mercado sem intervenções do governo e incentivo ao desenvolvimento tecnológico

 

Um caso de sucesso internacional, o agronegócio brasileiro tornou-se gigantesco e global nos últimos 20 anos, assumindo um papel essencial para a segurança alimentar do mundo. Assim, tem enormes oportunidades de mais crescimento à frente, mas governo e sociedade precisam contribuir para que isso ocorra. Este foi o cenário traçado pelo especialista em agronegócios Ivan Wedekin em palestra no Encontro Democrático realizado nesta quinta-feira (3), na sede do Espaço Democrático – a fundação do PSD para estudos e formação política –, em São Paulo.

Coordenado pelo economista Luiz Alberto Machado, consultor do Espaço Democrático, o debate teve também a participação do ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho, coordenador do conselho temático de Agricultura do Espaço Democrático.


Para Ramalho, o agronegócio brasileiro está contribuindo de forma muito forte para a recuperação da economia brasileira, assim como do emprego e da renda dos trabalhadores, produzindo saldos comerciais bastante favoráveis e assimilando novas tecnologias, mas deve levar adiante o desafio de produzir de maneira sustentável. “Sem preservação do meio ambiente, vamos produzir menos”, afirmou.

Transmitido ao vivo pelo Facebook, o debate desta quinta-feira integra a série que vem sendo realizada pelo Espaço Democrático há mais de dois anos, com a proposta de produzir conteúdo para orientar a atuação dos integrantes do partido em suas diversas áreas de atuação. A íntegra do debate será publicada no site da fundação.

Em sua palestra, Ivan Wedekin – que foi secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e diretor de BM&FBovespa e hoje é diretor da Wedekin Consultores – também incluiu a defesa do meio ambiente como uma necessidade para a manutenção do bom desempenho do setor. Segundo ele, enquanto o governo precisa contribuir mais tanto para ampliar a infraestrutura de transporte e armazenagem da produção como para a abertura de novos mercados no mundo, o setor privado deve levar adiante o esforço para preservação ambiental. “Sustentabilidade é questão essencial para o Brasil, temos compromisso com isso e o país precisa continuar trabalhando com suas políticas públicas para incentivar esse cuidado”, disse.

Wedekin reafirmou sua confiança no crescimento do agronegócio ao longo dos próximos anos.

Wedekin lembrou que, apesar das graves dificuldades com a carência de estradas, portos e locais de armazenagem de grãos, o Brasil manteve nos últimos anos um quadro propício ao desenvolvimento do setor, com boa oferta de crédito, mercado sem intervenções do poder público e incentivo ao desenvolvimento tecnológico. “Com isso, a partir de 1999, com a livre flutuação do câmbio e as metas de inflação, o Brasil viveu um período de enorme expansão do agronegócio, deixando de ser importador líquido de produtos agrícolas para transformar-se em um dos maiores exportadores mundiais de alimentos”, lembrou.

Nesses últimos anos, mostrou o palestrante, o país tornou-se o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos, porém com um saldo comercial, nessa área, muito superior aos de seus principais concorrentes. De fato, em 2015, por exemplo, o Brasil obteve saldo de US$ 69 bilhões, enquanto a Europa teve resultado negativo de US$ 5 bilhões e os Estados Unidos registrou saldo positivo de US$ 14 bilhões.

Dessa forma, os negócios relacionados à produção rural hoje representam 24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, sendo responsáveis por 37% dos empregos gerados no país. “Isso mostra a relevância econômica e social da atividade e explica porque 70% dos municípios brasileiros que apresentaram evolução positiva no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pela ONU) são produtores de soja. É a agricultura alavancando o desenvolvimento do interior brasileiro”, apontou.

Para Wedekin, o Brasil se destaca positivamente também em outros dois aspectos – subsídios e produtividade – confirmando sua vocação para a atividade e o alto grau de eficiência que atingiu nesse campo.

Em termos de subsídios, como mostram dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país tem um dos menores índices do mundo, com apenas 2,6% da receita bruta dos produtores vindo do governo. Para comparação, esse índice é de 18,9% na Europa e de 9,4% nos Estados Unidos.

Quanto à produtividade agrícola, essencial para a competitividade dos produtos no mercado mundial, o Brasil também registrou forte crescimento no período entre 1975 e 2014, chegando a 3,53% ao ano. Isso representa quase o dobro da taxa registrada nos Estados Unidos, por exemplo, onde a produtividade aumentou em 1,75% ao ano entre 1975 e 2011.

Lembrando que, infelizmente, esses resultados não se repetem em outros setores da economia brasileira, Wedekin encerrou sua palestra reafirmando sua confiança no crescimento do agronegócio ao longo dos próximos anos. “Em 2017, devemos colher 237 milhões de toneladas de grãos, 50 milhões acima do obtido no ano passado. E a expectativa para 2018 é de mais crescimento da área plantada”, concluiu.