Os grandes temas de 2018 na visão dos especialistas

05-12-2017

Evento reuniu economistas, cientistas políticos e sociais e especialistas em relações internacionais para debater o cenário que se prevê para 2018.

 

Os impactos sociais dos avanços tecnológicos, as perspectivas da política internacional, as incertezas da campanha eleitoral do próximo ano e os problemas da segurança pública no Brasil foram temas do Encontro Democrático realizado nesta segunda-feira (4). O encontro – promovido pelo Espaço Democrático, a fundação do PSD para estudos e formação política – reuniu economistas, cientistas políticos e sociais e especialistas em relações internacionais para debater o cenário que se prevê para 2018.

Evento foi transmitido ao vivo pelo Facebook. Assista à íntegra aqui.

Para o economista Luiz Alberto Machado, consultor do Espaço Democrático, uma questão que deve se destacar no próximo ano, no Brasil e no mundo, será o impacto da chamada quarta revolução industrial sobre a vida das pessoas e sobre a própria economia, a partir do acelerado desenvolvimento de tecnologias como a inteligência artificial, robótica, big data e computação quântica, entre outras.

Para ele, isso terá consequências na lógica econômica e na própria representação política. “Ao contrário do que ocorreu em outros períodos da história, desta vez serão favorecidas as camadas mais instruídas da população, o que deve trazer elevado custo social para países com baixo nível educacional”, afirmou Machado, lembrando que isso tornará necessário “revolucionar a proteção social numa realidade em que as pessoas mudam de trabalho, e não apenas de emprego, constantemente”.

 

 

Professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Helio Michelini Pellaes Neto analisou em sua palestra os temas mais comentados da política mundial, a exemplo do debate sobre as visões de mundo representadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e também o andamento de conflitos como o do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), o da Catalunha e o da Coreia do Norte.

Na opinião de Pellaes Neto, apesar da apreensão atual sobre um possível agravamento do conflito com a Coreia do Norte, a situação tende a ser mantida sob controle, uma vez que os grandes países envolvidos têm problemas mais urgentes a resolver, a exemplo da Rússia, que terá sua Copa de Mundo de futebol em 2018, e da China, que não quer ver seus interesses comerciais afetados.

Para o economista Roberto Macedo, consultor do Espaço Democrático, os bons números registrados pela economia brasileira neste fim de 2017 indicam que a longa recessão dos últimos anos está ficando para trás e que o Produto Interno Bruto (PIB) do País pode chegar a 2% no fim de 2018.

No entanto, alertou que, além do forte impacto da recessão sobre o nível de emprego, o Brasil enfrenta dificuldades para elevar sua taxa de investimento, que está muito abaixo da média mundial (16% do PIB, para em média 23% no resto do mundo). Em sua visão, esses fatores devem contribuir para que a efetiva recuperação da economia seja bastante lenta.

No campo político, segundo o especialista Rubens Figueiredo, os rumos do País serão decididos no próximo ano por um eleitor que hoje se mostra dividido entre três grandes desejos. “O primeiro é a vontade de rejeitar os políticos e a corrupção, que, no entanto, não se traduz em ação, verificando-se uma grande apatia”, explica o cientista político, que presta consultoria ao Espaço Democrático.

O segundo eixo das decisões eleitorais, segundo ele, será a escolha do ponto de vista econômico. “Ainda está difícil entender se o eleitor terá uma reação racional, avaliando os erros do governo anterior, ou um raciocínio nostálgico, apostando na volta da explosão de consumo experimentada no governo Lula”, diz Figueiredo, para quem essa última corrente é hoje majoritária.

Por fim, ele lembra que pesquisas indicam um crescimento dos valores liberais na sociedade, que tem agora visão mais crítica em relação aos sindicatos, ao papel do governo e às leis trabalhistas. “Talvez esse viés não seja explicitado na campanha eleitoral, mas será um substrato importante para a definição das propostas dos candidatos”, disse.

Para o também cientista político Rogério Schmitt, a disposição para renovar o quadro de representantes não é novidade no Brasil, onde a taxa de renovação no Congresso sempre foi alta. “Nas últimas eleições, essa taxa foi de no mínimo 40%, chegando próxima a 50% em algumas ocasiões. É uma das mais altas do mundo, sendo três vezes maior que a dos EUA, por exemplo”, explicou.

Em sua opinião, o mais difícil é prever o perfil dos novos parlamentares, mas ele acredita que não deve haver grande mudança no tamanho dos principais blocos (esquerda, centro e direita). “A grande mudança pode ocorrer no interior de cada bloco, com redução de algumas bancadas (o que pode ocorrer com o PT) e aumento de outras (como no caso do PSD)”, disse.

Para o cientista social Túlio Kahn, um dos grandes debates da próxima campanha eleitoral será sobre a questão da segurança pública, que continua sendo uma das principais preocupações da população brasileira. “As últimas estatísticas mostram que 61 mil pessoas morrem por ano no Brasil, vitimadas pela violência. É praticamente uma bomba atômica por ano”, diz Kahn.

De acordo com ele, os dados disponíveis mostram que algumas reduções dos índices de criminalidade podem estar relacionadas com o início da recuperação da economia, “mas a taxa média é elevada e mesmo que a economia continue melhorando isso não será resolvido”.