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Violência na manifestação dos “coletes amarelos”

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INTERNACIONAL

Manifestantes enfrentam bombas de gás lacrimogêneo na região do Arco do Triunfo, em Paris. Foto: REUTERS/Stephane Mahe

 

Seguindo um roteiro já percorrido no Brasil, quando em junho de 2013 os protestos pacíficos de manifestantes de classe média foram envolvidos pela violência desencadeada pelos “black blocs”, a manifestação dos “coletes amarelos” franceses realizada no sábado, em Paris, nos Champ Elysées, também teve custo alto. Mais de 100 feridos, incluindo policiais, e centenas de pessoas presas marcaram uma nova fase do movimento.

Iniciados no mês passado, os protestos dos “coletes amarelos” na França surgiram como um grito espontâneo contra o declínio do padrão de vida. Difusos, parecendo não ter líderes e organizados pela internet, eles vêm tendo amplo e profundo apoio em todo o país. No interior, os protestos são quase sempre pacíficos. Em Paris, no entanto, tomaram um rumo mais sinistro, engrossados por extremistas de esquerda e direita, anarquistas e sindicatos, todos empenhados em capitalizar um descontentamento explosivo.

Em artigo no New York Times, republicado no Brasil pelo jornal O Estado de S.Paulo, a jornalista Alissa Rubin afirma que a violência voltada contra o governo de Emmanuel Macron ultrapassa os próprios limites e assusta até mesmo esse país onde protestos organizados são coisa comum.

Para Rubin, ainda que a violência seja perpetrada principalmente pelos vândalos que capturaram o movimento, seu simbolismo é poderoso. “A revolta de modernos operários e camponeses contra um presidente cada vez mais desdenhado por seu distanciamento aristocrático transformou as ruas mais ricas e áreas mais conhecidas de Paris em verdadeiras zonas de guerra”, escreve.

Confrontos entre a polícia e manifestantes ao lado de vândalos profissionais chamados de “quebradores” pela população espalharam-se pela região mais famosa da capital francesa, incluindo a Place de la Concorde e o Trocadero, transformando-os em zonas de guerra. Carros virados e incendiados queimam também no 1º e no 8º arrondissements, bairros distantes da Champs Elysées.

“O fato de Macron se encontrar a 11 mil quilômetros de distância, em Buenos Aires, para a cúpula econômica do G-20, não o distanciou da rebelião. Mesmo lá, a revolta das ruas não pôde ser ignorada ou minimizada, como o governo francês vem tentando fazer”, diz a jornalista do NY Times, lembrando que, “penas duas semanas após o início dos protestos é que o governo concordou em se reunir com os manifestantes. Entretanto, uma vez que o movimento não tem líderes – na verdade, nem mesmo representantes –, não está claro quem será convidado”.

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