Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático
Edição Scriptum
Recebi da revista americana Fortune, um texto da colunista Coryanne Hiccs intitulado Como garantir renda vitalícia na aposentadoria: 4 estratégias que funcionam. Entre elas chamou-me a atenção a bucket strategy ou “abordagem do balde’, pois até aqui não havia visto o uso do termo balde na análise do assunto. Segundo o texto, a “… ideia consiste em distribuir suas economias em três baldes: um para agora, um para em breve e outro para o futuro”.
“O balde do agora guarda o dinheiro que você precisa para pagar suas contas mensais e cobrir grandes despesas que precisa fazer nos próximos dois anos, como comprar um carro novo ou reformar a cozinha”, explicou um palpiteiro na reportagem. Segundo outro palpiteiro, “…esse balde deve ter recursos para cobrir três anos de despesas, levando em conta outras fontes de renda, como a Previdência…”
“Por exemplo, se você gasta R$ 100 mil por ano e recebe R$ 50 mil da Previdência Social, deve ter três vezes R$ 50 mil – ou R$ 150 mil – no seu balde do agora”.
“O balde do “em breve” serve para o dinheiro que você vai precisar nos próximos dois a dez anos. Esse balde deve ser investido de forma conservadora, mas minimizando a exposição a ativos voláteis. Pense principalmente em títulos de renda fixa, com pouca ou nenhuma exposição a ações”.
Já o balde “do futuro” é “… voltado para investimentos de longo prazo. Como a aposentadoria pode durar mais de 30 anos, o investidor precisa incluir componentes de crescimento das suas economias. … Desse balde, esperamos mais valorização de capital do que dos outros.”.
E a autora conclui: “Com o tempo, você vai reabastecer o balde do agora com o do “em breve” e o do “em breve” com o “do futuro”. Manter os três em equilíbrio ajuda a garantir que suas necessidades de renda sejam atendidas hoje, amanhã e nas próximas décadas.”
Como se percebe, a autora usa o balde como figura de metáfora, pois não tem sentido usar baldes para colocar recursos financeiros. No fundo, trata-se de uma forma de ver as coisas e que pode servir para memorizar e explicar as mensagens que está tentando passar, mas é uma análise tradicional de que há os gastos e os investimentos e que vale pensar em nichos separados para as providências a serem adotadas. Só não achei adequado contar com a Previdência no primeiro nicho, pois ela só virá ao final.
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