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{ ARTIGO }

A importância da alfabetização financeira; e um teste para avaliar a sua

Pesquisa internacional revelou que o Brasil está muito abaixo dos países com as melhores notas, escreve Roberto Macedo

 

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Pesquisa internacional realizada pela Standard & Poor’s (S&P), uma empresa conhecida pela sua atuação global na avaliação de riscos financeiros, argumenta que realizou a maior e mais abrangente mensuração global do que em inglês é chamado de financial literacy [1]. Ou, traduzindo, alfabetização financeira. Refere-se ao domínio de conhecimentos bem básicos de educação financeira.

A pesquisa da S&P foi realizada em 2014 e divulgada em janeiro de 2016. Envolveu cerca de 150 mil adultos em 140 países. Embora já tenha mais de cinco anos, ela aborda uma questão estrutural, ou seja, que não muda rapidamente. E não seria fácil fazer outra pesquisa como essa, dada a sua abrangência e organização. Entre outras entidades, teve a colaboração do Banco Mundial e do Centro de Excelência em Alfabetização Financeira Global, da Universidade George Washington, dos EUA. [2]

A medição do grau de alfabetização financeira envolveu cinco questões dentro de quatro temas. Estes foram: juros simples e compostos, inflação e diversificação de riscos. Foram contadas como financeiramente alfabetizadas as pessoas que responderam corretamente pelo menos as questões de três desses quatro tópicos.

Passando às perguntas, são as listadas abaixo, com as respectivas alternativas de respostas, inclusive num caso a opção de não responder. Usei valores em R$. As respostas corretas são apresentadas numa nota de rodapé ao final da última pergunta.

Se o leitor também quiser fazer o teste, é óbvio, mas vale lembrar, que para a sua eficácia essas respostas só deverão ser consultadas após responder todas as perguntas.

Juros simples

1 – Supondo que você precise tomar R$100 emprestados, qual seria o menor montante a ser pago: $105 ou $100 mais três por cento? Alternativas: (a) R$105; (b) R$ 100 mais três por cento; (c) não sei ou sem resposta.

Juros compostos

2 – Suponha que você coloque dinheiro num banco por dois anos e que ele lhe pague, anualmente, 15% ao ano de juros depositados na sua conta. O banco lhe pagará mais dinheiro na sua conta no segundo ano do que no primeiro, ou ele adicionará o mesmo montante em cada um dos dois anos? Alternativas: (a) mais; (b) o mesmo montante.

3 – Suponha que você tenha R$ 100 numa conta de poupança e que o banco adicione 10% ao ano à sua conta. Quanto dinheiro você terá nessa conta após cinco anos se não sacar dinheiro dela? Alternativas: (a) mais de R$ 150,00; (b) exatamente R$ 150,00; (c) menos do que R$ 150,00.

Inflação

4 – Suponha que nos próximos 10 anos os preços de coisas que você compra irão dobrar. Se sua renda também dobrar você será capaz de comprar menos do que comprava hoje, o mesmo que você comprava hoje, ou mais do que comprava hoje? Alternativa de resposta: (a) menos; (b) o mesmo; (c) mais.

Diversificação de risco

5 – Suponha que você tenha algum dinheiro. Será mais seguro colocá-lo num único negócio ou investimento ou em múltiplos negócios e investimentos? Alternativas: (a) um negócio ou investimento; (b) múltiplos negócios ou investimentos[3].

Avaliação dos países e dentro deles o Brasil

Minha percepção é que a alfabetização financeira assim testada é um estágio inicial da educação financeira, dado o pequeno número de questões apresentadas e de respostas muito fáceis para quem já foi além desse estágio. Mas na média mundial apenas um em cada três adultos, ou 33%, responderam corretamente pelo menos três desses quatro tópicos. E a variação em torno dessa média é grande. Os países que se saíram melhor foram Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Israel, Holanda, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Reino Unido, todos com taxas acima de 60% e destaque para três escandinavos dessa lista, Dinamarca, Noruega e Suécia, com 71%, a maior marca registrada. Na outra ponta ficaram países como Afeganistão, Haiti, Nepal, Somália e Yemen, com taxas entre 13 e 18%.

O Brasil, com 35%, ficou bem perto da média mundial citada, mas muito longe dos resultados de países que ficaram à sua frente na lista. Ou seja, o grau de alfabetização financeira do país é bem baixo.


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