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{ ARTIGO }

A Ômicron nos lembra que a pandemia ainda não acabou

Em artigo, Januário Montone, ex-presidente da ANS, faz o alerta: a transmissão do coronavírus somente será interrompida quando toda, ou a grande maioria, da população estiver vacinada.

 

 

Januario Montoneex-diretor presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e ex-secretário municipal de Saúde da cidade de São Paulo

 

A Ômicron, nova face do coronavírus, está nos assustando porque muitos pensavam que a pandemia já se fora, que a hora é de cuidar das festas de final de ano e de carnaval, sem máscaras e outras chatices.

Já não era assim e agora menos ainda, embora sobre a nova “variante de preocupação” da OMS que derrubou os mercados e gerou novas restrições de mobilidade internacional, tenhamos mais dúvidas do que certezas. Talvez seja mais transmissível. Talvez prevaleça sobre a Delta que é predominante no Brasil, assim como na África. Talvez escape das atuais vacinas. As autoridades de saúde da África do Sul dizem que os casos identificados são em não vacinados. Nas próximas semanas teremos dados mais concretos.

Antes do aparecimento da Ômicron já havia sinais de alerta mundo afora com crescimento de casos na Europa e nos Estados Unidos. Mesmo países com alto índice de vacinação completa começaram a enfrentar crescimento de casos e retomaram medidas não farmacológicas, a principal delas o uso obrigatório de máscaras.

Como os principais especialistas tem alertado a vacinação individual gera proteção para evitar o agravamento dos casos e reduz os óbitos, mas não interrompe a transmissão. A tese tem sido demonstrada pela expressiva diminuição de internações e óbitos nas regiões com altas taxas de vacinação, mas mesmo nessas já é evidente a necessidade de terceira dose, talvez da quarta.

A transmissão somente será interrompida quando toda, ou a grande maioria, da população estiver vacinada. A população mundial! A homogeneização da vacinação é essencial, mesmo ao nível de cada território.
Os países da África onde se identificou a Ômicron tem taxa de vacinação abaixo de 25%. No Brasil estamos em 62%, mas temos sete estados com taxa inferiores a 50%, abaixo de 40% em três deles! E o vírus circula com as pessoas.

Vários países já restringiram a entrada de pessoas vindas daqueles países africanos, mas já temos casos em Israel, Bélgica, Alemanha e Inglaterra. E a circulação nas fronteiras terrestres? Nos portos? E a circulação interna no próprio país?

Precisamos entender de uma vez por todas que “aprender a conviver com o vírus” não é “aceitar” que pessoas vão se contaminar e morrer. É usar o que já aprendemos para continuar a viver da melhor forma possível apesar do vírus.

Claro que isso exige acima de tudo ações de governo, políticas públicas eficientes para funcionamento da sociedade simultaneamente à manutenção dos cuidados indispensáveis como uso de máscara, além de vacinas disponíveis, vigilância epidemiológica eficiente, capacidade de testagem e passaporte de vacinação para entrada no país e participação em eventos de grande porte, por exemplo.

Exige também a postura pessoal de cada uma de nós. Afinal, qual o problema de usar uma máscara? Podemos ter máscaras para cada atividade, mais leves para atividades ao ar livre e padrão ouro (PFF2) para ambientes fechados. Qual o problema em garantir janelas abertas no taxi, na sala de aula, no restaurante, na sala de reuniões e aonde for, quando já sabemos que a falta de ventilação potencializa o risco de contaminação?

Não precisamos retomar as atividades presenciais para provar que a pandemia já está mais controlada. Podemos continuar usando os benefícios da explosão tecnológica desse período. Viajar é possível? Claro, se necessário, mas de máscara ser for de avião, ônibus ou trem, o que também vale para o transporte público.

Enfim, não podemos garantir que os governos sejam eficientes. Podemos apenas exigir e julgá-los nas próximas eleições. Também não podemos garantir que o nosso vizinho esteja tomando todos os cuidados necessários. Só podemos garantir que nós mesmos estejamos fazendo isso e já seremos de grande ajuda na superação desses tempos estranhos.

A Ômicron apenas nos lembrou que ainda não acabou e que viver a vida é possível, apenas exige alguns cuidados.


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