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{ ARTIGO }

Como viabilizar a entrada do jovem no mercado de trabalho após a pandemia

Chegou momento de adotarmos políticas públicas que facilitem o emprego para aqueles que serão a nossa força de trabalho qualificada nas próximas décadas

Rafael G. Auad, especialista em gestão pública

Edição: Scriptum

 

Quando o primeiro caso de covid-19 no Brasil foi detectado, seus efeitos e externalidades ainda eram desconhecidos. Entre a população em geral e até entre profissionais da saúde não existia consenso sobre quais seriam os verdadeiros impactos do vírus no País. Porém, desde o início já era possível imaginar que além dos efeitos na saúde pública, a pandemia teria um forte efeito sob a economia, em especial no universo de trabalho de uma parcela específica da população, a dos jovens.

Hoje, a faixa etária que sente fortemente os efeitos da pós-pandemia é a população jovem apta a trabalhar. Um estudo feito pela CONJUVE em maio de 2021 (Juventude e Pandemia) para o qual foram ouvidos 68.114 jovens de 15 a 29 anos de todos os Estados, mostrou dados importantes para o entendimento do atual cenário para essa parcela da população. Sendo uma faixa que se encaminha para a inserção no mercado de trabalho, e em meio a pandemia, muitos deixaram de estudar para focar na geração de renda. Dos entrevistados, 22% dos jovens trabalhavam e não estudavam, 25% trabalhavam e estudavam e 13% estavam em busca de trabalho, mas também não estudam. Somados, temos 60% da parcela da população jovem que sente a necessidade de trabalhar, mesmo que isso afete o estudo.

Já na perspectiva sobre trabalho, analisado por um viés emocional, os sentimentos dos jovens são muito divididos. Dos entrevistados, 31% se sentem chateados, 41% inseguros e 29% desiludidos. Somando a preocupação com a necessidade de trabalhar, a pesquisa notou que empreender um negócio aparentou ser o objetivo da vida profissional para quatro em cada dez jovens. Adicionalmente, 25% dos entrevistados acreditam que a solução seja o estímulo a novos postos de trabalho e melhores condições para o jovem trabalhador.

A necessidade de incentivos para essa inserção do jovem no mercado de trabalho não é uma pauta nova. Reduzir custos de contratação no primeiro emprego, como é o caso do programa “Primeira Chance” (ferramenta de incentivo à concessão de estágio por meio de aprendizagem e atividades), foca em aquecer esse mercado dos adolescentes do ensino médio e é um meio de atingir positivamente essa parcela da população. Outra abordagem para a mesma questão é ilustrada na cartilha CONJUVE em conjunto com demais entidades, o que possibilita fortes eixos de políticas públicas a serem aplicadas a essa faixa. Os quatro principais aspectos da mudança giram em torno da capacitação e formação técnica, incluindo a qualificação do jovem; desenvolvimento para negócios e habilidades socioemocionais; serviços de suporte e aconselhamento na busca por emprego; emprego subsidiado, com a criação de incentivos para emprego público e desenvolvimento de infraestrutura; e promoção do empreendedorismo, disponibilizando programas de apoio técnico para o aprimoramento de habilidades empreendedoras, assessoria de negócios e ferramentas de microcrédito.

Tendo em vista a possibilidade de oferecimento de ferramentas como essas para o incentivo e viabilização do jovem no mercado de trabalho, destaco duas propostas em tramitação que vão nessa linha de incentivos. O PL 3966/2020, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho para dispor o incentivo a micro e pequenas empresas que contratarem aprendizes, e o PL 54/2021, que altera a Lei nº 10.836 para dispor sobre a criação de incentivo financeiro ao estudante do ensino médio. Ambos os projetos possuem como característica principal o apoio para a jovem parcela que enfrenta dificuldades para se qualificar e iniciar a sua geração de renda.

Hoje os jovens estão enfrentando dificuldades não só para entrar no universo do trabalho, mas também para se manterem motivados com o cenário atual. A dificuldade de geração de renda se agravou pela pandemia e tornou essa questão muito sensível e preocupante, pois a base de trabalho da sociedade se inicia na faixa etária que está sendo afetada por essas questões. É um problema de todos, mas é uma responsabilidade fundamental de trabalho para o Estado, que deve buscar alternativas efetivas para resgatar essas oportunidades perdidas.

Depois de dois longos anos de incertezas e mercado de trabalho desaquecido, agora é o momento para adotarmos políticas públicas que preencham essa necessidade, principalmente para a parcela da sociedade que irá ser a nossa força de trabalho qualificada nas próximas décadas.


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