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{ ARTIGO }

Datafolha expõe polarização cristalizada entre Lula e Bolsonaro

Para Rubens Figueiredo, a intensidade da rejeição entre os eleitores beira o ódio: para os petistas, Bolsonaro é um facínora homofóbico; para os bolsonaristas, Lula não passa de um corrupto comunista

 

Rubens Figueiredo, cientista político e colaborador do Espaço Democrático

Edição: Scriptum

 

Resultado de pesquisa não aponta aquele que vai ganhar a eleição, mas sim quem está na frente quando o levantamento foi realizado. Mas, bem analisados, os dados de uma pesquisa associados a uma interpretação correta do cenário econômico e social traz evidências do provável desenvolvimento da disputa.

Com certeza essa é, de todas as eleições desde 1989, aquela na qual a polarização é mais intensa. Do ponto de vista quantitativo, a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (28) mostra um dado impressionante. Nada menos do que 66% dos eleitores apontam, na pergunta espontânea, que já escolheram Lula (38%) ou Bolsonaro (26%). Trata-se de um patamar que exprime um grau de cristalização poucas vezes visto em eleições presidenciais.

O outro ponto a ser destacado na polarização é de natureza qualitativa. A intensidade da rejeição entre os eleitores é notável. Não é bem uma rejeição, é quase ódio. As bolhas que se formam nas redes sociais intensificam ainda mais esse processo. A rejeição não se configura por antipatia ou discordância da proposição de políticas públicas. Se dá porque, entre os petistas, Bolsonaro é um facínora homofóbico. E Lula, entre os bolsonaristas, não passa de um corrupto comunista.

No plano das narrativas, os candidatos parecem pregar para convertidos, o que acentua a cristalização dos votos. Não existem incursões ousadas sobre o eleitorado adversário. Lula repete o discurso de vinte anos atrás – chegando ao cúmulo de dizer que a classe média tem um padrão de vida acima do necessário – e Bolsonaro, com seus arroubos autoritários contra o STF e a urna eletrônica, só empolga quem já está votando nele. Outro fator a ser levado em conta é que dificilmente surgirão fatos novos sobre a vida dos dois principais candidatos. Lula é um ex-presidiário e Bolsonaro nunca escondeu o que é.

O cenário político-social favorece um candidato da oposição, já que a inflação, crédito e desemprego estão altos e o crescimento do PIB deve ser pífio. Neste contexto, ser um candidato da oposição é muito interessante. E Lula não é só “o” candidato de oposição. É também um ex-presidente que, noves fora a corrupção, fez administrações exitosas, nas quais o eleitor pobre comprou celular e viajou de avião. Resta saber se o Auxílio Brasil de Bolsonaro será suficiente para empolgar o eleitor de renda mais baixa. Segundo o Datafolha, no segmento que ganha até três salários mínimos o presidente cresceu três pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. A conferir.

 

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 29 de julho de 2022.

 

 

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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