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{ ARTIGO }

Economista: uma profissão, muitas ocupações

Luiz Alberto Machado aponta as boas perspectivas oferecidas pelos cursos de Economia, tanto no plano da teoria como no da aplicação prática

 

 

 

Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Venho acompanhando, há anos, a redução da procura pelas vagas oferecidas pelos cursos de graduação em Economia no Brasil¹, fenômeno que, diga-se de passagem, aconteceu anteriormente também nos Estados Unidos e em diversos países da Europa.

Já li e ouvi as mais diferentes explicações para este fenômeno, que vão da dificuldade do curso em comparação a outros cursos universitários, passam pelo seu viés excessivamente teórico e macroeconômico, e chegam à baixa empregabilidade que o curso oferece a quem se forma em Ciências Econômicas.

Não considero convincentes quaisquer dessas explicações, embora reconheça que o curso apresenta um grau de dificuldade superior ao de outros cursos de áreas limítrofes, como o de Administração, por exemplo.

Justifico minha posição com base na extraordinária abrangência oferecida pelo curso de Economia – que se reproduz no exercício da profissão – perceptível tanto no plano da teoria como no da aplicação prática.

Não é qualquer ciência que permite uma aplicação tão ampla de seus modelos teóricos, o que só é possível pela rígida e abrangente formação do economista, que combina teoria econômica, métodos quantitativos e formação histórica. Tal amplitude pode ser comprovada por contribuições recentes que utilizam modelos econômicos em diversas áreas, originando expressões como economia do crime², economia da educação, economia comportamental, economia dos esportes, economia da saúde etc.

A mesma amplitude observada no plano teórico pode ser observada no plano real, quando se observa o mercado de trabalho e a enorme gama de ocupações que podem ser desempenhadas pelos economistas.

Em evento que reúne os Conselhos Regionais de Economia (SINCE), o professor Roberto Macedo, utilizando-se de dados que vem sendo constantemente atualizados, chamou atenção para uma tendência verificada no mercado de trabalho, representada pelo crescente descolamento entre profissão e ocupação³. Tal descolamento é maior em algumas profissões do que em outras, estando a de economista entre as que apresentam maior grau de dispersão, o que indica que o mesmo pode atuar em um número significativo de ocupações, como se vê na tabela 1, conferindo-lhe um elevadíssimo grau de empregabilidade.

Dispersão Ocupacional

Nº de ocupações que alcançam mais de 70% dos trabalhadores, por profissão – 2010

 

Fonte dos dados brutos: IBGE – Censo de 2010

Diante dos argumentos aqui apresentados, recomendo aos jovens que estão em fase de decisão do que irão fazer no curso universitário para considerarem com mais carinho a opção pela Economia. Seguramente terão que se esforçar bastante ao longo de todo o curso, mas, desde que escolham uma boa faculdade e tenham um bom aproveitamento, serão amplamente recompensados na carreira profissional, seja ela mais voltada para o plano teórico, como pesquisadores e/ou professores, seja ela mais voltada para o chamado setor real da economia, atuando em empresas públicas ou privadas, tanto na macro como na microeconomia.

 

 

1 Interessante assinalar que o mesmo fenômeno não ocorre em nível de pós-graduação, uma vez que os programas de mestrado e doutorado em Economia encontram-se entre os mais procurados no Brasil.

2 Vide, a respeito, meu artigo sobre o tema aqui mesmo publicado no último mês de julho. Disponível em https://espacodemocratico.org.br/artigos/economia-do-crime-2/.

3A diferença em entre profissão e ocupação, não percebida pela maioria das pessoas, mereceu atenção especial de Roberto Macedo no livro Seu diploma, sua prancha. (Saraiva, 1998). Também me referi a ela no livro Como enfrentar os desafios da carreira profissional (Trevisan, 2012).


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