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{ ARTIGO }

Encontro de Cidades Criativas

Só em dois segmentos, literatura e artes midiáticas, o Brasil não possui representantes na Rede de Cidades Criativas, escreve o economista Luiz Alberto Machado

 

Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

Edição: Scriptum

 

A XIV Conferência da Rede de Cidades Criativas da UNESCO foi realizada na cidade de Santos, de 18 a 22 de julho, sendo encerrada com o compromisso do combate à desigualdade social por meio da economia criativa.

O evento, previsto para 2020 e postergado por conta da pandemia da covid-19, reuniu cerca de 300 participantes entre prefeitos, vice-prefeitos e representantes de 106 cidades criativas de 90 países para discutir, entre outros tópicos, a construção de cidades mais inclusivas e sustentáveis, especialmente no período pós-pandemia.

Entre as delegações internacionais, estiveram representadas cidades como Jacarta (Indonésia), Istambul (Turquia), Seul (Coreia do Sul), Milão (Itália), Guadalajara (México), Bristol (Reino Unido) e Quebec (Canadá). Do Brasil, estiveram presentes representantes de João Pessoa e Campina Grande (Paraíba), Recife (Pernambuco), Salvador (Bahia), Belém (Pará), Fortaleza (Ceará), Parati (Rio de Janeiro), Belo Horizonte (Minas Gerais), Curitiba (Paraná), Florianópolis (Santa Catarina), além de Santos (São Paulo).

Com o tema geral “Criatividade, Caminho para a Igualdade”, os representantes das cidades-membro da Rede de Cidades Criativas da UNESCO refletiram coletivamente sobre oportunidades compartilhadas para implementar estratégias e iniciativas de desenvolvimento sustentável em convergência com as áreas prioritárias da organização.

A Rede de Cidades Criativas foi lançada em 2004 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), com o objetivo de promover a cooperação internacional entre as cidades efetivamente comprometidas em investir na criatividade como forma de estimular o desenvolvimento urbano sustentável, a inclusão social e o aumento da influência da cultura em todo o mundo.

Como observou Audrey Azulay, diretora-geral da UNESCO, “em todo o mundo essas cidades, cada uma a seu modo, fazem da cultura o seu pilar, e não um acessório de sua estratégia; isso favorece a inovação política e social e é particularmente importante para as gerações jovens”.

A Rede de Cidades Criativas engloba sete segmentos: artesanato e artes folclóricas; artes midiáticas; design; cinema; gastronomia; literatura; música. A importância de integrar a Rede não se limita a ampliar a visibilidade internacional da cidade, mas, principalmente, a ter acesso às melhores práticas das outras cidades que compõem a Rede.

A cada dois anos a UNESCO realiza reuniões da Rede de Cidades Criativas e é nessas ocasiões que são admitidas novas integrantes da Rede, o que não ocorreu, excepcionalmente, na Conferência de Santos.

A Rede conta atualmente com 246 cidades que funcionam como um laboratório de ideias e de práticas inovadoras. Para apresentar a candidatura e fazer parte da Rede uma cidade precisa preencher um dossiê extremamente detalhado, justificando sua pretensão num dos sete segmentos.

Na reunião anterior, realizada em 2018, 17 cidades brasileiras se candidataram, sendo duas escolhidas: Belo Horizonte, pela gastronomia, e Fortaleza, pelo design. Com isso, o Brasil possui atualmente 10 cidades integrando a Rede de Cidades Criativas: quatro em gastronomia (Parati, Florianópolis, Belém e Belo Horizonte); três em design (Brasília, Curitiba e Fortaleza); uma em cinema (Santos); uma em música (Salvador); e uma em artesanato e artes folclóricas (João Pessoa). Portanto, só em dois segmentos, literatura e artes midiáticas, o Brasil não possui representantes na Rede de Cidades Criativas.

O livro Economia + Criatividade = Economia Criativa, publicado recentemente pelo Espaço Democrático (Scriptum, 2021), dedicou sua parte final exatamente ao tema das cidades criativas, discorrendo sobre 11 cidades criativas brasileiras, das quais apenas quatro fazem parte da Rede de Cidades Criativas da UNESCO: Belém, Belo Horizonte e Parati, na categoria gastronomia; e Salvador, na categoria música. As outras sete, Blumenau, Campina Grande, Caruaru, Gramado, Parintins, Rio de Janeiro e São Paulo foram escolhidas a critério dos autores a partir de seus conhecimentos e experiências pessoais.

Quem sabe as seis cidades criativas brasileiras da Rede da UNESCO não incluídas na primeira edição possam fazer parte de uma ampliada segunda edição?

 

 

 

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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