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{ ARTIGO }

Governo completa três trimestres seguidos de rejeição

O quarto e último trimestre de 2021 será estratégico para o desenho de cenários eleitorais realistas, prevê o cientista político Rogério Schmitt

 

 

 

Rogério Schmitt, cientista político e colaborador do Espaço Democrático

 

O governo Bolsonaro acaba de completar mil dias de vida, contados desde a posse do atual presidente. Segundo os relatos da imprensa, Bolsonaro quer marcar esta data simbólica iniciando um ciclo de viagens e de inaugurações de obras pelo País.

Estamos também a pouco mais de um ano das eleições presidenciais de outubro de 2022. E as pesquisas de intenção de voto, feitas por diferentes institutos, apontam que Bolsonaro, se o pleito fosse hoje, não seria reeleito para um segundo mandato no Palácio do Planalto.

Mas viagens e inaugurações de obras não são eventos capazes de alterar magicamente as chances de reeleição de um presidente. Por si sós, os cenários atuais para a inflação, o desemprego e o PIB já sugerem um quadro muito adverso para Bolsonaro no ano que vem. E isso tudo sem falar na memória do desastrado comportamento presidencial durante a pandemia.

Por outro lado, também é verdade que pesquisas de intenção de voto realizadas tanto tempo antes da eleição têm um poder preditivo limitado. A maior utilidade dessas pesquisas é aferir o grau de conhecimento (ou ‘recall’) dos eleitores sobre os possíveis candidatos. De fato, muitos nomes que aparecem nos levantamentos eleitorais hoje em circulação provavelmente nem terão as suas candidaturas confirmadas.

Mas podemos perfeitamente fazer de conta que essas pesquisas de intenção de voto não existem e, ainda assim, chegar à conclusão de que a trajetória de Bolsonaro na opinião pública aponta para uma derrota eleitoral. Basta examinarmos as pesquisas de popularidade referentes ao próprio governo Bolsonaro. Consultei cerca de 100 pesquisas diferentes realizadas entre janeiro de 2019 e setembro de 2021 por quase uma dezena de institutos especializados.

 

 

No gráfico acima, para facilitar a visualização dos dados e para eliminar pontos fora da curva, agrupei os resultados em médias trimestrais. Os dados do terceiro trimestre de 2021, atualmente em curso, ainda podem sofrer discretas mudanças. A curva azul representa a porcentagem média de brasileiros que avaliam o governo Bolsonaro de forma positiva (respostas ‘ótimo’ + ’bom’). Já a curva laranja corresponde à porcentagem dos brasileiros que fazem uma avaliação negativa (respostas ‘ruim’ + ‘péssimo’) do atual governo.

Os números são inequívocos. Este ano de 2021 está sendo o pior período para a popularidade do presidente Bolsonaro desde o início do governo. Os últimos três trimestres foram ciclos de quedas consecutivas na avaliação positiva e, também, de crescimento contínuo na avaliação negativa. O ótimo/bom de Bolsonaro caminha na direção dos 20%, enquanto o ruim/péssimo caminha para a casa dos 60%. No jargão peculiar dos analistas de pesquisas, poderíamos dizer que “a boca do jacaré abriu”.

Governos não vencem eleições com números assim. O quarto e último trimestre de 2021 será, portanto, estratégico para o desenho de cenários eleitorais realistas. Ou bem a boca do jacaré começa a fechar, ou bem Bolsonaro fará cada vez menos viagens e inaugurações pelo Brasil afora.


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