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{ ARTIGO }

Índice de Desconforto: o que é isso?

Economista Roberto Macedo escreve sobre o indicador criado pelo americano Arthur Okun e aplica o conceito ao Brasil

 

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Vou tratar desse Índice de Desconforto (ID) com base num artigo citado numa das notas acrescentadas ao gráfico abaixo, em que esse índice é apresentado no período 1996-2021, sendo que no último ano desse período trata-se de uma projeção de quem fez o gráfico.

O ID surgiu nos EUA em 1970 onde foi criado por um famoso economista, Arthur Okun, com o nome de Misery Index. Mas a tradução não poderia ser literal, pois em inglês misery tem vários significados, e o que se aplica no caso é o de um desconforto mental de origem econômica, enquanto em português miséria se aplica mais a um estado extremo de pobreza.

O índice é medido pela soma aritmética das taxas de desemprego e de inflação. No Brasil, a primeira é medida pela taxa de desemprego da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios Contínua (PNAD-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a segunda pela inflação interanual medida pelo INPC. Os dados foram projetados até o final do ano, com base em previsões do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para as variáveis que compõem o ID.

 

ÍNDICE DE DESCONFORTO (1996-2021) COM PREVISÃO PARA 2021

 

Notas: dados normalizados, média histórica =100 e desvio-padrão = 10. As áreas em cinza representam as recessões datadas pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE), do IBRE; em vermelho, a parte projetada do gráfico; fonte do artigo consultado: Campelo Júnior, Aloísio, e Gouveia, Anna Carolina, “Desde 2015 desconforto do brasileiro é alto”; fonte dos dados brutos: IBGE e FGV; gráfico elaborado pelos autores do artigo citado, publicado no blog do IBRE (blogdoibre.fgv.br) em 25-6-21.

Como se percebe, o índice tem dois pontos de pico mais fortes, o primeiro entre 2002 e 2003, ligado a incertezas quanto ao futuro da economia em face da eleição do presidente Lula, o que gerou, entre outros impactos, um forte aumento da taxa de câmbio, com repercussões inflacionárias. Essa situação foi contornada com declarações do presidente eleito, que acalmaram as inquietações dos mercados. O segundo ocorre desde 2020, com forte aumento das duas taxas que compõem o ID.

Não há ainda sinais de que esse pico será revertido, embora haja previsões de que poderá, pelo menos, se estabilizar nos próximos meses. Nessas condições, o desconforto continuará, em particular para quem está desempregado e/ou tem baixos salários, ou seja, as pessoas para as quais o efeito depressivo do desemprego é óbvio e o corrosivo da maior inflação é mais desconfortável.


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