Livros para entender o Brasil de hoje

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ARTIGO

Rubens Figueiredo, cientista político e colaborador do Espaço Democrático

 

 

Existe no Brasil uma robusta bibliografia a respeito da origem e evolução do nosso Estado, da sociedade, da cultura e das instituições políticas. Para estudar o desenvolvimento estatal, é imprescindível a leitura de Os donos do poder (Raimundo Faoro), São Paulo e o Estado nacional (Simon Schwartzman) e A querela do estatismo (Antonio Paim), que traz uma elucidativa análise comparativa do pensamento de Faoro e Schwartzman.

Obras marcantes a respeito da nossa sociedade e do jeito de ser dos brasileiros são Raízes do Brasil (de Sérgio Buarque de Holanda), Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre), O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil (Darcy Ribeiro) e Carnaval, malandros e heróis (Roberto da Matta). Para entender nossas instituições políticas, Coronelismo, enxada e voto (Victor Nunes Leal), Instituições políticas brasileiras (Oliveira Viana), Autoritarismo e democratização (Fernando Henrique Cardoso) e Cidadania no Brasil (José Murilo de Carvalho).

Existem, também, dois livros importantes que tentam dar conta, através de análises críticas, das principais obras que, por assim dizer, construíram uma explicação sobre o nosso País. Um é Pensadores que inventaram o Brasil, de Fernando Henrique Cardoso, que seleciona dez livros que marcaram a nossa referência teórica. O outro é uma belíssima coletânea de artigos de intelectuais de peso, Introdução ao Brasil – Um banquete nos trópicos, organizada por Lourenço Dantas Mota.

Se todos esses livros nos ajudam a compreender como o Brasil se formou e se desenvolveu, três livros recentes dão conta de como nosso país funciona. Trata-se de Os onze – O STF, seus bastidores e suas crises, de Felipe Recondo e Luiz Weber, sobre o Supremo Tribunal Federal; A organização: A Odebrechet e o esquema de corrupção que chocou o mundode Malu Gaspar; e Tchau, querida – O diário do impeachment, de Eduardo e Danielle Cunha. Os dois primeiros são excelentes e detalhadas reportagens, o terceiro é um depoimento de um ator importantíssimo no processo que apeou Dilma Rousseff do poder.

O interessante é que cada um desses livros trata principalmente de uma esfera do Poder. Os Onze… se debruça sobre a instância máxima do Judiciário, A Organização… lida com as relações da empreiteira com o Executivo, e Tchau, querida… se ocupa de analisar o jogo no Poder Legislativo. É claro que, nos três casos, os Poderes se relacionam entre si, principalmente na obra de Eduardo e Danielle Cunha, uma verdadeira batalha entre o Legislativo e o Executivo, com as devidas interferências do Judiciário.

É claro que essas três obras não têm a densidade analítica e a sofisticação teórica dos clássicos que embasaram nosso conhecimento sobre o Brasil. São relatos jornalísticos – e não reflexões mais elaboradas lastreadas nas Ciências Sociais. Mas quem se der ao trabalho de ler esses três livros, certamente entenderá melhor o País e o ponto a que chegamos. São exemplares de ótima qualidade de nossa literatura político-jornalística contemporânea nesse momento em que a sociedade parece preferir a crença ao conhecimento e coloca o preconceito à frente dos fatos históricos.

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