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{ ARTIGO }

Nobel de Economia favorece a lisura na concessão de serviços públicos

Economista Luiz Alberto Machado comenta a escolha de Robert Wilson e Paul Milgrom para o prêmio deste ano

 

 

 

 

Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

No dia 12 de outubro foram conhecidos os nomes dos dois ganhadores do Nobel de Economia, tradicionalmente o último das seis categorias do prêmio¹ a ser divulgado.

Em realidade, o “Prêmio em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel” foi criado apenas em 1969² pelo Banco Central da Suécia, para celebrar o aniversário de 300 anos da instituição, muitos anos depois, portanto, da premiação iniciada em 1901 pela Fundação Nobel.

Apesar de ser promovido independentemente pelo Banco Central da Suécia, a premiação segue à risca os processos e critérios dos outros prêmios, que são de responsabilidade da Academia Real de Ciências da Suécia e o(s) ganhador(es) recebem a láurea juntamente com os laureados nas outras cinco categorias em cerimônia realizada no dia 10 de dezembro.

Uma diferença em relação a outras premiações que ocorrem pelo mundo é que o Nobel revela apenas o nome do vencedor, que não raras vezes recebe a notícia pela imprensa de que ganhou as 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a 1,1 milhão de dólares.

Vale destacar, adicionalmente, que há uma regra no regulamento do Nobel determinando que a lista de indicados seja mantida em sigilo por 50 anos, o que transforma em tarefa quase impossível dar um palpite certeiro de quem será o vencedor, ainda que com base nas últimas edições haja sempre especulações em torno de alguns nomes.

Os laureados de 2020 foram os professores Robert Wilson, de 83 anos, e seu ex-orientando, Paul Milgrom, de 72 anos, ambos da Universidade Stanford. O nome de Paul Milgrom, aliás, encontrava-se entre os de economistas que figuravam já há algum tempo na relação de possíveis ganhadores.

A justificativa do júri da Academia de Ciências da Suécia foi de que o trabalho de Wilson e Milgrom contribuiu para “melhorar a teoria dos leilões e inventar novos formatos de leilões, beneficiando vendedores, compradores e contribuintes em todo o mundo”.

Numa época caracterizada por enorme preocupação com fatores como fake news, corrupção e malversação de recursos, um aspecto merece especial realce na escolha do Nobel de Economia deste ano, que é o de favorecer a lisura nos processos de concessão de serviços públicos.

Encerro este artigo reproduzindo o destaque dado a esse aspecto pelo ex-ministro Maílson da Nóbrega em seu O futuro chegou: instituições e desenvolvimento no Brasil (São Paulo: Globo, 2005, p. 50):

Observa-se também uma crescente introdução do sistema de mercado em transações com órgãos do governo. A forma mais conhecida é a dos leilões para a concessão de serviços de telecomunicações e energia, que são desenhados de maneira sofisticada, incluindo a utilização de raciocínios estratégicos proporcionados pela teoria dos jogos. Em vez de ser feita por burocratas, com todo o seu potencial de perdas, distorções e corrupção, a concessão acontece de forma impessoal e competitiva.

 

 

 

¹ As seis categorias são: Química, Física, Medicina, Literatura, da Paz e Economia.

² O apêndice do livro Viagem pela economia, publicado pelo Espaço Democrático, apresenta a relação completa dos ganhadores do Nobel de Economia até 2018, com a respectiva justificativa do(s) motivo(s) da premiação.


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