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{ ARTIGO }

O EUA e a guerra internacional dos chips eletrônicos

Economista Roberto Macedo escreve sobre a dificuldade para a produção de chip no Brasil e no mundo

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

É sabido que a partir de 2020 uma escassez global de chips eletrônicos afetou bastante a indústria brasileira, prejudicando a produção de notebooks, celulares, televisores e outros eletrônicos, inclusive os usados pela indústria automobilística, que chegou a interromper linhas de produção.

Uma das causas mais importantes foi que a pandemia da covid-19, surgida naquele ano, levou milhões de pessoas a trabalhar em casa, com o que houve grande aumento na demanda e na produção de computadores usados no trabalho.

Em meados de 2021 foi divulgada uma sondagem da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), revelando “que 12% dos fabricantes brasileiros de eletrônicos já tiveram que paralisar parte de sua produção por causa da falta de componentes”.

Internacionalmente, foi particularmente impactada a produção de grandes produtores desses chips, como China, Coreia do Sul e Taiwan. No caso dos EUA também veio o efeito do protecionismo ampliado nesse setor, em particular o voltado contra importações chinesas.

Dessas condições e outros fatores, veio nos EUA o projeto de ampliar a produção local de chips. Segundo matéria de primeira página Da edição de 1º de janeiro do New York Times, intitulada “EUA espalha dinheiro para os chips, mas mesmo gastos ampliados têm limites” (tradução livre).

A reportagem lembra que a administração Biden destinou cerca de US$ 76 bilhões em verbas, créditos tributários e outros incentivos para encorajar a produção doméstica de chips. E que “…o esforço representa o mais importante dos EUA em colocar dinheiro na indústria desde a Segunda Guerra Mundial, quando as autoridades federais ampliaram gastos em navios novos, dutos e fábricas para produzir alumínio e borracha.”

A reportagem do New York Times também menciona que no ano passado grandes empresas anunciaram investimentos no setor de chips, como a Intel (US$ 20 bilhões), Micron Expertise (US$ 20 bilhões) e Taiwan Semicondutores (fundos atuais ampliados para US 40 bilhões) para criar uma nova unidade nos EUA, voltada para a produção de chips mais sofisticados.

Mas o texto da reportagem também pondera que todos esses investimentos correm riscos. Uma fábrica de chip toma tempo, exige mão de obra muito qualificada, e quando concluída seus concorrentes podem ter desenvolvidos ainda mais atraentes.

É interessante lembrar que o governo brasileiro criou, em 2008, a empresa CEITEC (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), voltada para produzir chip no Brasil, mas ela teve dificuldades como as apontadas nos EUA, entre outras. O governo de Jair Bolsonaro propôs a liquidação dessa empresa, o que ainda não aconteceu. É possível que o novo governo Lula resolva mantê-la, mas se optar por isso deveria aprender com o seu passado e com esses atuais projetos dos EUA.

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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