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{ ARTIGO }

O Horário Eleitoral no rádio e na TV

Neste ano, tudo indica que as alterações nos índices de intenção de voto durante o período de campanha no rádio e na TV serão modestos, escreve o cientista político Rubens Figueredo

 

Rubens Figueiredo, cientista político e colaborador do Espaço Democrático

Edição: Scriptum

 

Qual será o impacto do Horário Eleitoral Gratuito (HEG) na campanha presidencial brasileira de 2022? Normalmente, a movimentação dos índices de intenção de voto das candidaturas ocorre de forma mais intensa depois do início dos programas eleitorais no rádio e na TV. Essa tem sido uma constante na nossa história recente.

É bem verdade que, em 2018, o HEG ficou muito distante de ter a força que normalmente se apregoa. Há quatro anos, o candidato com o maior tempo na TV foi Geraldo Alckmin, que conseguiu juntar PSDB, DEM, PP, PR, PSD, SD, PRB, PTB e PPS. Essa coligação tinha inacreditáveis 5 minutos e 32 segundos no Horário Eleitoral Diário e 434 inserções de 30 segundos durante todo o primeiro turno.

Jair Bolsonaro, da coligação PSL-PRTB, tinha inexpressivos 8 segundos no programa eleitoral e a possibilidade de veicular 11 comerciais de 30 segundos no primeiro turno. Grosso modo, Alckmin tinha 40 vezes mais comerciais do que Bolsonaro. É preciso levar em conta que Bolsonaro quase monopolizou o noticiário dos meios de comunicação por conta da facada que levou. Mas que o efeito do tempo na TV não foi decisivo, não foi.

A TV e o rádio costumam ter grande poder quando as candidaturas representam algo que o eleitorado, em sua grande maioria, ainda não sabe. Foi o caso, por exemplo, da eleição de Fernando Collor, o caçador de marajás, na época uma absoluta novidade. Ou na eleição de Fernando Henrique Cardoso, que lançou o Plano Real, estabilizou a inflação e teve grande ascensão nas pesquisas num curto espaço de tempo. Ou ainda quando os eleitores ficaram sabendo que Dilma Rousseff era a candidata indicada por Lula, então nos píncaros da glória com seus 82% de avaliações positivas.

Neste ano, tudo indica que as alterações nos índices de intenção de voto durante o HEG serão modestos. Primeiro porque os candidatos mais expressivos são conhecidíssimos dos brasileiros. Segundo porque é altamente improvável que surjam denúncias capazes de inviabilizar uma candidatura, como aconteceu com Roseana Sarney, em 2002, no caso do escândalo Lunus.

Outro ponto: neste ano, nenhum candidato açambarcará um tempo de rádio e TV muito maior do que os seus adversários. Lula terá um pouco mais de 3 minutos. Bolsonaro, Simone Tebet e Soraya Thromick (União Brasil) ficarão na faixa entre 2 e 3 minutos. E, para completar, mais de 70% dos eleitores estão declarando espontaneamente seu voto em Lula ou Bolsonaro. E a rejeição de ambos também é alta. Ou seja: o mesmo eleitor que vota com certeza em um não vota de jeito nenhum no outro. Salvo algum acontecimento extraordinário, tudo indica que a campanha desse ano estará longe de ser das mais emocionantes.

 

 

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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