Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático
Edição Scriptum
O Boletim Focus é um levantamento que o Banco Central faz toda sexta-feira junto a analistas do mercado financeiro, abrangendo várias questões econômicas, entre elas a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) no ano corrente e nos três seguintes e o IPCA do mesmo período.
Já estamos em novembro e o boletim continua mantendo uma previsão de crescimento muito baixa. A última edição, de 7 de novembro , traz uma estimativa de apenas 2,16% para a variação do PIB em 2025. Para 2026, 2027 e 2028, as previsões são de 1,8%, 1,83;% e 2%, respectivamente, e são menos críveis em face do muito que pode acontecer nesse período. A grosso modo, o que se prevê são taxas próximas de 2%, depois de vários anos com taxas perto de 3%. Ou seja, as perspectivas são piores.
A razão básica para este desempenho, que venho apontando, é que a taxa de investimento em formação bruta de capital fixo, como em novas fábricas, fazendas, hospitais etc. está perto de apenas 17% do PIB, quando idealmente deveria estar próxima de 25% do PIB ou até mais. Nesse contexto, o setor público tem sido o maior redutor da taxa de investimentos – a dele é de apenas 2% do PIB, quando no passado o governo federal chegou a investir perto de 10% do PIB – me vem à lembrança investimentos como a ponte Rio-Niterói e a hidroelétrica de Itaipu. O setor público não mais faz obras desse tamanho.
Mas há um setor que vem fugindo da linha do baixo crescimento. Conforme divulgado pelo economista Ricardo Bergamini com base em dados do IBGE, em setembro de 2025 o volume de serviços avançou 0,6% frente ao mês anterior (série com ajuste sazonal). É o oitavo resultado positivo seguido, período em que acumulou alta de 3,3%. Com isso, o setor está 19,5% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e renova, neste mês, o ápice da sua série histórica. Provavelmente isso vem ajudando a manter o PIB na faixa de 2% ao ano.
Esse baixo crescimento vem contribuindo para a redução da taxa de inflação pelo IPCA que, segundo o mesmo Boletim Focus, ficaria em 4,72% (2025). 4,28% (2026), 3,9% (2027) e 3,68% (2028).
Tudo isso ocorre no contexto de um governo federal em busca de votos, que eleva seus gastos sociais enquanto o Banco Central mantém a taxa básica de juros em altíssimos 15% ao ano. Essa situação ambígua impede a queda da inflação de forma mais rápida.
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