Pesquisar

tempo de leitura: 4 min salvar no browser

{ ARTIGO }

Para baixo e para cima

Economista Luiz Alberto Machado analisa o mais recente relatório anual do Índice de Desenvolvimento Humano

 

 

 

Luiz Alberto Machado, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou no dia 15 de dezembro seu relatório anual do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O relatório baseia-se em dados de 2019 e no ranking composto por 189 países o Brasil aparece no 84º lugar, com IDH de 0,765, caindo cinco posições na comparação com o ranking anterior, ainda que sua pontuação revele pequeno crescimento, uma vez que no documento anterior, que analisou os dados de 2018, o IDH brasileiro era de 0,761, o 79º da lista.

A tabela 1 apresenta alguns países selecionados e pretende dar uma boa noção da posição do Brasil em relação aos melhores e aos últimos classificados, bem como na comparação com países da América do Sul.

Tabela 1

 Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) em 2019

O cálculo para as colocações no ranking anual elaborado pelo PNUD se baseia em critérios relacionados à saúde, renda e escolaridade para medir o bem-estar da população.

O IDH vai de 0 a 1 e é calculado todos os anos com base em três critérios: (i) renda: padrão de vida medido pela Renda Nacional Bruta per capita; (ii) saúde/longevidade: vida saudável e longa, medida pela expectativa de vida; e (iii) educação: acesso ao conhecimento medido pela média de anos de educação de adultos e expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar.

Na classificação da organização, o Brasil é considerado um país de alto desenvolvimento humano numa escala que considera quatro categorias: desenvolvimento muito alto, alto, médio e baixo¹.

O IDH brasileiro teve evolução de 0,003 em relação a 2018, o que o PNUD avalia como crescimento lento. O Brasil não chegou a recuar nos três indicadores, mas acabou sendo ultrapassado por outros países que tiveram melhor desempenho, o que explica a perda de posições.

A estagnação brasileira se deve à falta de avanços na educação. O período de permanência das pessoas na escola ainda é o mesmo de 2016, de 15,4 anos. A média de anos de estudo teve uma pequena alta, de 7,8 anos em 2018 para 8 anos em 2019.

A expectativa de vida no país aumentou de 75,7 anos para 75,9, o que representa um aumento significativo se comparado com a avaliação de 2015, que era de 75 anos.

Gostaria de comentar também neste artigo os resultados de outro relatório, menos relevante do que o do PNUD, que foi divulgado em outubro, merecendo pouca atenção dos analistas, preocupados prioritariamente com a volatilidade da economia e a proximidade das eleições municipais.

Trata-se do Ranking de Competitividade Digital, elaborado pelo Núcleo de Competitividade Global do IMD (International Institute for Management Development), em parceira com a Fundação Dom Cabral e com o apoio do Movimento Brasil Digital, no qual o Brasil subiu seis posições em relação ao ano anterior, ficando na 51ª posição entre 63 países.

O ranking é liderado pelos Estados Unidos, seguido por Singapura, Dinamarca, Suécia e Hong Kong. A Venezuela fecha a lista, ostentando a 63ª posição.

O IMD leva em conta três pilares para a elaboração do ranking: (i) conhecimento (know how necessário para descobrir, compreender e construir novas tecnologias); (ii) tecnologia (as condições gerais que possibilitam o desenvolvimento de tecnologias digitais); e (iii) prontidão para o futuro (o nível de preparo para explorar as transformações digitais).

O Brasil avançou no primeiro deles, mas se manteve praticamente estável nos outros dois, como se vê na tabela 2.

Segundo o estudo, o Brasil se destacou em medidas como os ganhos em relação à concentração científica, estrutura regulatória, capital e agilidade para negócios. Esta última, em especial, apresentou avanços na maioria de seus componentes, entre eles a transferência de conhecimento entre universidades e setor privado e a agilidade das empresas. Ainda assim, para o professor Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, há muito a ser feito para que o País mantenha avanços sustentáveis no cenário mundial e amplifique sua competitividade.

Já na avaliação de Vitor Cavalcanti, diretor executivo do Movimento Brasil Digital, “o estudo mostrou que uma das grandes dificuldades do Brasil ainda é sustentar o ritmo de avanço. A Covid-19 acelerou o processo de Transformação Digital de muitas empresas, sob o risco de deixar de fora do mercado aquelas que não se adequassem de maneira ágil e eficiente à situação. Longe de ser o ideal, já que estamos falando de um movimento forçado causado por uma pandemia, mas a expectativa é que essa aceleração se reflita em ganhos de competitividade”.

Costumo dizer que mais importante do que o retrato revelado por um relatório isoladamente é analisar a evolução de cada país em sucessivas edições dos mesmos. Nesse sentido, aguardemos os futuros relatórios.

 

¹ Por muitos anos o PNUD considerou cinco faixas de IDH, como se vê na figura que se segue:


ˇ

Atenção!

Esta versão de navegador foi descontinuada e por isso não oferece suporte a todas as funcionalidades deste site.

Nós recomendamos a utilização dos navegadores Google Chrome, Mozilla Firefox ou Microsoft Edge.

Agradecemos a sua compreensão!