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{ ARTIGO }

PIB caiu no 3º trimestre. E a taxa do 2º foi revisada para baixo

2021 vai terminar mal e as perspectivas para 2022 também não são boas. Mas Roberto Macedo sugere: vamos seguir a vida olhando só para a frente, como num carro sem retrovisor

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Edição: Scriptum

 

O IBGE divulgou no último dia 2 o resultado do PIB no terceiro trimestre (julho a setembro) deste ano, mostrando queda de 0,1% relativamente ao trimestre anterior (abril a junho). A imprensa deu destaque a esse resultado, mas a notícia mais importante do relatório do IBGE sobre o assunto foi que a taxa do segundo trimestre foi revisada de -0,1% para -0,4%, uma queda bem maior. A do primeiro trimestre (janeiro a março) também foi revisada, para cima, de 1,2% para 1,3%, mas essa alteração ficou longe de compensar essas duas quedas nos trimestres seguintes.

Esse procedimento de revisão às vezes ocorre, e isso acontece porque são dados de curto prazo que costumam ser revisados pelas próprias fontes, e o próprio IBGE também faz alterações metodológicas.

Com esses números, até o terceiro trimestre o PIB e dentro de 2021 cresceu apenas 0,8% relativamente ao quarto trimestre (outubro a dezembro) de 2020, uma taxa muito ruim, e precisaria crescer 0,2% no quarto e último trimestre de 2021 para fechá-lo com um crescimento anual, dentro do ano, de 1%, previsão próxima das realizadas por instituições que trabalham com estimativas desse tipo, e seria também uma taxa muito baixa para o período.

Contudo, se o leitor acompanha as previsões do crescimento do PIB para 2021, em geral elas são calculadas tomando-se uma estimativa do seu crescimento entre 2020 e 2021, enquanto que o cálculo que acima, vale repetir, é o do crescimento dentro de 2021, conforme já expliquei em dois artigos anteriores neste espaço. Como houve uma forte queda do PIB em 2020, de 3,9%, o valor dele é bem abaixo do PIB de 2021 e, assim, essa comparação entre os dois anos produz uma taxa de variação bem maior, que o último Boletim Focus do Banco Central, publicado nesta segunda-feira (6) tem 4,7% como previsão. Portanto, essa taxa resulta mais da queda do PIB dentro de 2020 do que do crescimento do PIB em 2021.

De sua parte, a inflação também está numa situação muito ruim, e a última estimativa para 2021 para o IPCA anual, divulgada pelo mesmo Boletim Focus, foi de 10,2%, e vem subindo ininterruptamente há 35(!) semanas. O desemprego caiu um pouquinho, mas ainda está em nível muito alto, 12,6% em setembro, e sua queda decorreu mais do crescimento do trabalho informal, ligado a uma leve recuperação do setor de serviços. Como resultado da maior inflação, a renda real média do trabalhador também vem caindo.

É esse o triste quadro da economia. E para complicá-lo ainda mais surgiu recentemente uma nova variante da covid-19, a ômicron, que já vem causando redução de viagens internacionais e cancelamento de festas coletivas como o réveillon deste ano.

Assim, 2021 vai terminar mal, as perspectivas para 2022 também não são boas, e o mesmo Relatório Focus está prevendo um aumento de apenas 0,5% do PIB. Mas não se pode desanimar. Recentemente, tomei a terceira dose da vacina, e também reafirmei a decisão de seguir a vida olhando só para a frente, como num carro sem retrovisor.


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