Política e nuvens

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ARTIGO

 

 

 

Gilberto Kassab, ex-ministro e presidente nacional do PSD

 

O Brasil vive dias de muita complexidade e mais do que nunca a seriedade no debate público e o compromisso prioritário com a superação dos problemas – para além de disputas políticas e a antecipação sob critérios inadequados e dissociada da realidade do debate eleitoral para o ciclo de 2022 – são necessários para que reencontremos o caminho da superação da crise e do crescimento econômico, com construção de condições para o empreendedorismo que tanto move este país e a necessária construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida.

Dou então início a algumas reflexões tendo em vista as movimentações da política brasileira nos últimos tempos.

É completamente verdadeira a reflexão do ex-governador mineiro Magalhães Pinto que entrou para o anedotário nacional, de que a política é como nuvem – “você olha está de um jeito, e daqui a pouco já está diferente”. Mas acho que algo pode ser acrescido a esse divertido jogo de palavras, em especial no momento que estamos vivendo: a boa política, desenvolvida a partir de boas doutrinas e pautada princípios em prol do bem coletivo, pode até mudar de figura, mas não muda na sua essência.

Se composições entre personagens da arena pública, aproximações e distanciamentos políticos e outras movimentações são da natureza da atividade do representante público, do processo político em si, que é marcado pelo dinamismo, é importante contudo que se cobre que essas movimentações tenham como objetivo fazer o país melhorar.

E também, identificar bons princípios na atuação dos políticos requer atenção e cuidado: por exemplo, para compreender suas motivações e objetivos é fundamental que se recorra a boas fontes de informação, como é o caso de “O Estado de S.Paulo”, há tantos anos documentando a realidade do país a cada dia, para não nos deixarmos levar por questionamentos infundados às urnas eletrônicas e a um modelo eleitoral consagrado ou à realidade de uma pandemia que já levou a vida de mais de 500 mil brasileiros.

O Brasil tem perdido tempo com bravatas e agressões de todo tipo que obviamente não têm o espírito de solução de problemas reais, e claramente não estão sintonizadas com o que realmente necessitamos.

Estamos pouco a pouco vencendo a pandemia da covid, com a vacinação caminhando graças aos esforços de gestores comprometidos, sobretudo nos Estados e municípios. Que o país permaneça atento a essa pandemia que tanto nos atrapalhou e atrapalha, por exemplo com a arriscada variante delta do coronavírus, que insinua trazer mais problemas.

E como poucas vezes se viu em nossa história recente, é preciso que se tenha atenção redobrada aos fundamentos da nossa democracia, à lisura dos processos eleitorais e do debate público feito de forma honesta tendo como base esses termos.

Faço então um chamamento a quem acompanha política e as discussões que se travam em Brasília, nas páginas de jornais, nas redes sociais e no nosso dia a dia. E também àqueles que pouco acompanham – muito embora na sociedade hiperconectada e com tanta estridência pautando manifestações e gestos de lideranças, política a cada dia se torna assunto em tempo permanente. Quanto mais se pensarmos que muita verborragia e bravatas se desenrolando em meio a uma grave crise de saúde pública, a economia enfrentando dificuldades, e o país precisando aperfeiçoar as condições que o estado dá ao seu desenvolvimento.

Vamos refletir sobre quais as prioridades do Brasil? O que nosso país realmente necessita no momento em que traço essas linhas, agosto de 2021? E como podemos trabalhar, coletivamente, pelo benefício de toda nossa sociedade? Participação política, debate de boa-fé e envolvimento na definição de políticas públicas são iniciativas muito importantes.

Nosso partido, o PSD, com o conjunto dos seus representantes em governos estaduais e municipais, com deputados federais, estaduais e vereadores, com secretários de Estado e de municípios, está aberto ao diálogo e atento às demandas da sociedade, pronto a receber sugestões e engatilhar debate sobre o que todos necessitam. É da nossa natureza: acreditamos que a atividade política é construída pela discussão franca e construtiva, e focada na busca por soluções.

Política é meio, não fim. E nisso acreditamos muito em tempos em que ranger os dentes, fomentar conflitos e bater na mesa se tornou prática e meio de conquistar atenção da sociedade. Seguimos com nossas crenças, mantemos nossa impressão de que este não é o caminho.

A política é como nuvem, cheia de nuances e se transforma constantemente. Mas se a política é como nuvem, como dizia o Magalhães Pinto, eu acrescento agora: não deveria ser meramente formadora de tempestade e trovoada, que é como alguns homens públicos parecem tomar como guia de sua conduta, deixando de lado o que é real para um país que pode enfrentar adequadamente seus problemas e superar a importante pandemia da covid, os desafios econômicos e a luta por uma sociedade melhor.

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