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Rubens Figueiredo: ‘O cérebro e o fígado’

Em artigo, diretor do Espaço Democrático analisa duas grandes ações do governo Dilma que ocorrem num plano mais profundo: “Fortes e corretos ajustes estruturais políticos e econômicos”.

Rubens Figueiredo, cientista político e diretor do Espaço Democrático

O segundo governo Dilma Rousseff realiza dois movimentos de larga envergadura e complexidade neste seu início. O primeiro é muito corajoso e de natureza política. Dilma isolou os setores do PT mais ligados ao presidente Lula (Gilberto Carvalho, por exemplo), trouxe para junto de si  um grupo mais alinhado com suas ideias e tenta diminuir a dependência que o governo tem do PMDB.

O segundo movimento é a volta da ortodoxia na política econômica. Isso representa, sem dúvida nenhuma, uma vitória espetacular da racionalidade sobre o voluntarismo. Dar regras administráveis à concessão de benefícios sociais, acabar com a desoneração setorial, reajustar impostos, preocupar-se com os gastos públicos – é tudo que o Brasil precisa neste momento. Ao invés da contabilidade criativa, criatividade com juízo para acertar a contabilidade.

Ao mesmo tempo, a presidente da República estimula a ação do ministro Guilherme Afif, que vem realizando um trabalho importantíssimo no sentido de melhorar o ambiente de negócios das micro e pequenas empresas, segmento que mais emprega e produz. Nos EUA, abre-se uma nova empresa em quatro dias. No Brasil, precisamos de 105. Descomplicar, facilitar, desburocratizar, estimular o empreendedor: são movimentos da microeconomia que podem dar um macro resultado.

Em dezembro de 2014, Henrique Meirelles escreveu um artigo, publicado na Folha de S. Paulo,  comparando as condições do ajuste de 2003 (primeiro governo Lula) com as atuais. Para ele, o cenário de hoje é muito mais favorável. Em 2003, o Risco Brasil era de 1400 pontos. Hoje é 300. A dívida pública menos as reservas internacionais chegava a 60% do PIB. Hoje ronda os 45%. As reservas internacionais em 2003 eram de menos de U$ 30 bilhões. Hoje, alcançam US$ 373 bilhões. Há 12 anos, os juros chegavam a 26,5% e o desemprego alcançava 13%!

É evidente que o escândalo da Petrobrás está aí, o PMDB está insatisfeito como sempre, a repercussão ao anúncio dos novos ministros foi péssima, a reprimenda a Nelson Barbosa pegou mal, o Ministro dos Esportes não é exatamente um Michel Platini, Aldo Rebelo não seria recebido calorosamente no Vale do Silício, ninguém ficará feliz ao pagar mais impostos – e por aí vai.

Não são assuntos desprezíveis, claro. Longe disso. Mas não podem contaminar totalmente a análise. Corremos o risco de não percebe o que está acontecendo num plano mais profundo – fortes e corretos ajustes estruturais políticos e econômicos. O fígado não pode comandar o cérebro.

 


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