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{ ARTIGO }

Trajetória dos candidatos do PT ao governo paulista é declinante

A intenção de voto em Fernando Haddad parece estar superestimada pelas pesquisas: os números estão muito acima até mesmo do patamar ocupado pelos candidatos do partido nas eleições realizadas até 2010

 

Rogério Schmitt, cientista político e colaborador do Espaço Democrático

Edição: Scriptum

 

Vai começar agora em agosto a campanha eleitoral. Como sempre acontece, a eleição presidencial acaba atraindo a maior parte das nossas atenções. Mas não podemos nos esquecer que, em outubro, elegeremos também 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais e 1.049 deputados estaduais. Com a exceção do presidente, todos os outros candidatos serão eleitos no âmbito estadual, para representar os eleitores das 27 unidades da federação.

Naturalmente, por ser o estado mais populoso do Brasil, a eleição estadual em São Paulo se destaca das demais. Em 2022, o Estado conta com cerca de 34,7 milhões de eleitores, o que corresponde a 22,2% do eleitorado brasileiro. Além das eleições majoritárias para governador e senador, os paulistas elegerão também, pelo sistema proporcional, 70 deputados federais e 94 deputados estaduais.

Neste artigo, gostaria de fazer uma avaliação do cenário eleitoral para o governo de São Paulo, recorrendo tanto a dados de pesquisas recentes de intenção de voto como também ao retrospecto das eleições anteriores.

O primeiro fato que me chamou a atenção é o elevadíssimo número de indecisos no eleitorado paulista. Segundo a última pesquisa disponível do Datafolha (realizada entre 28 e 30 de junho), 72% dos eleitores do Estado são incapazes de declarar voto em algum candidato a governador na pesquisa espontânea. Por outro lado, de acordo com o mesmo instituto, em pesquisa nacional realizada entre 27 e 28 de julho, a taxa espontânea de indecisos para presidente é de meros 25%.

Portanto, será preciso olhar com muita reserva para os resultados da pesquisa estimulada de intenção de voto. Ainda pode haver muita volatilidade nestes números a partir do início formal da campanha. Seja como for, estas pesquisas têm mostrado um favoritismo do candidato Fernando Haddad (PT). No Datafolha, por exemplo, o petista aparece com 34% das intenções de voto. O segundo pelotão é formado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB), empatados com 13%. Por fim, outros 6 candidatos menos competitivos pontuam, somados, 10% das intenções de votos. Estas porcentagens se referem ao eleitorado total do Estado, no qual ainda 20% declaram voto nulo ou em branco, e 9% se dizem indecisos.

Se convertermos a intenção de voto em Haddad para votos válidos, o ex-prefeito e ex-ministro estaria próximo de já vencer a eleição no primeiro turno: seus 34% virariam quase 49%. Mas seria sustentável este aparente grande favoritismo inicial do candidato a governador do PT? Como veremos a seguir, o retrospecto eleitoral dos candidatos a governador do PT – além do retrospecto do próprio Haddad – sugere algo bem diferente.

O gráfico abaixo mostra o desempenho dos candidatos a governador lançados pelo PT em São Paulo nas últimas cinco eleições estaduais. Nota-se claramente uma divisão em duas fases.

 

 

Nas eleições de 2002, 2006 e 2010, o PT conseguiu obter, em média, um terço dos votos válidos para o governo paulista. Mesmo tendo sempre sido derrotados por adversários tucanos, os candidatos petistas eram sistematicamente a segunda força político-eleitoral em São Paulo. Mas esta posição foi nitidamente perdida nas duas eleições mais recentes.

Em 2014, a votação do PT foi a metade daquela recebida quatro anos antes, e o candidato petista ficou em terceiro lugar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. E este recorde negativo ainda seria duplamente superado em 2018, quando o PT ficou em quarto lugar na eleição, e diminuindo ainda mais de tamanho em relação à eleição anterior.

Em outras palavras, a intenção de voto em Fernando Haddad agora em 2022 parece estar fortemente superestimada pelas pesquisas. Os números do petista estão muito acima até mesmo do patamar ocupado pelos candidatos do partido nas eleições realizadas até 2010. E são quatro vezes maiores que o desempenho do partido no pleito de 2018. Portanto, acho pouquíssimo provável que Haddad se sustente no patamar atual até o dia das eleições (ainda que pareça ter boas chances de disputar o segundo turno).

Finalmente, é necessário destacar que o próprio Haddad também já disputou uma eleição majoritária há poucos anos. Foi candidato a presidente em 2018, tendo recebido, no primeiro turno, 29,3% dos votos válidos no Brasil como um todo. Acontece que, no Estado de São Paulo, o seu desempenho foi muito inferior ao observado nacionalmente. Haddad obteve somente 16,4% dos votos válidos entre os eleitores paulistas. Em outras palavras, para vencer no primeiro turno agora, ele teria que multiplicar por três a votação recebida por ele mesmo há quatro anos.

Nada disso significa que o PT não possa eventualmente eleger o próximo governador de São Paulo. Mas o retrospecto recente dos candidatos do partido (e do próprio Haddad) no Estado aponta para um cenário de elevada improbabilidade.

 

 

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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