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Túlio Kahn: “Pibinho” e “Crimão”

Em artigo, especialista comenta pesquisas que apontam uma relação linear entre o desempenho do PIB no trimestre e a evolução da criminalidade no mesmo período.

Túlio Kahn, sociólogo e coordenador do Conselho de Segurança Pública do Espaço Democrático.

Lá fora há uma grande discussão acadêmica sobre o quanto a situação da economia afeta a criminalidade, com algumas pesquisas comprovando as correlações entre os fenômenos e outras não.

Sempre argumentei que o Brasil é um caso apropriado pra observar esta relação entre economia e crime, pois aqui os efeitos são mais diretos e visíveis. Grande parcela da população trabalhando no mercado informal e reduzida rede de proteção social estatal durante as crises são alguns dos muitos fatores que nos diferenciam dos países mais desenvolvidos, sem falar dos menores riscos de punição e da maior desigualdade.

Estes fatores atenuam os efeitos dos business cycles sobre o crime nos países desenvolvidos e acentuam estes mesmos efeitos no Brasil e outros países em desenvolvimento.

Se analisamos as variações do PIB nacional durante 68 trimestres (desde o 3º de 1996), podemos observar que, na maioria dos casos, há uma relação linear entre o desempenho do PIB no trimestre e a evolução da criminalidade. O crime cresce muito nos trimestres onde há queda do PIB e cai moderadamente nos trimestres com elevado crescimento do PIB (em outros termos, os ciclos são assimétricos). Com “Pibão” temos “criminho” e vice-versa!

Sem estender muito a análise, o que esta correlação sugere é que o baixo crescimento do PIB dos últimos trimestres é um dos principais culpados pelo crescimento da criminalidade patrimonial observada em vários Estados nos últimos tempos. O criminoso pensa como um investidor. Largar o mundo do crime, pelo que sugerem os dados, só é uma opção racional para os criminosos quando a economia cresce a taxas superiores a 3%, o que faz tempo não observamos no país.

 


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