Túlio Kahn: ‘Sensação de insegurança cresce e piora o quadro criminal no País’

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Túlio Kahn, sociólogo e coordenador do Conselho de Segurança Pública do Espaço Democrático.

O lançamento do 7º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2012, mostra o crescimento da criminalidade no País em relação a 2011, em especial dos homicídios. Além da divulgação das estatísticas oficiais governamentais, nos últimos dias foram divulgados também dados novos sobre a evolução das percepções com relação à criminalidade e às polícias.

Este aspecto subjetivo é relevante, pois tem impacto bem real na segurança e na economia: o ideal é que haja congruência entre os dois tipos de indicadores (objetivos e subjetivos), uma vez que temos sério problema de segurança quando a percepção se deteriora: pessoas deixam de sair de casa, empresas deixam de investir, turistas deixam de viajar, há menos colaboração com a polícia e a justiça, mais pessoas saem armadas para as ruas, etc.

No que tange às percepções, tivemos a divulgação da nova rodada da pesquisa CNT/MDA, que monitora a expectativa da população com relação à segurança pública nos próximos seis meses. Os que avaliam que a situação da segurança “vai melhorar” no País caíram de 48,9% em agosto de 2011, quando a questão foi formulada pela primeira vez, para 27,7% em novembro de 2013. Vendo por outro ângulo, a expectativa de piora cresceu de 19,3% para 29,3% no mesmo período. O crescimento da criminalidade e, eventualmente, a sensação de desordem promovida pelas manifestações violentas, podem ter contribuído para a piora do cenário.

A tendência corrobora as informações da pesquisa CNI/IBOPE, que já revelavam meses atrás a queda na aprovação ao governo com relação à violência, que diminuiu de 44% em março de 2011 para 31% em junho de 2013.

Dados da mesma pesquisa CNT apontam que segurança é uma das áreas que mais precisam de melhorias no Brasil (aparece em terceiro lugar na lista, com 34,3% de menções) e que nada menos que 91,5% dos entrevistados se dizem “muito preocupados” com a violência.

E a nova pesquisa do Índice de Confiança na Justiça da FGV, que avalia o grau de confiança da população em diversas instituições, ajuda a piorar o quadro.   A nova rodada 2013 aponta que 70,1% da população não confiam nas polícias, 8,6 pontos porcentuais acima do registrado no primeiro semestre de 2012. Quanto menor a confiança nas polícias, menores as chances de colaboração com elas, o que tende a acirrar ainda mais o quadro criminal.

A piora na sensação de segurança e na confiança na polícia faz com que as pessoas voltem a andar armadas nas ruas para (pretensamente) se protegerem, o que pode explicar em parte o crescimento dos homicídios. É preciso romper este ciclo e uma boa forma de fazer isso é repensar nosso modelo antiquado e ineficaz de policiamento.

 

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