Um feliz 2016

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Artigo

Rubens Figueiredo, cientista político e colaborador do Espaço Democrático

Existe um consenso entre os analistas de que 2016 foi um péssimo ano. Graves crises políticas, desemprego crescendo, juros que não caem, denúncias e mais denúncias de corrupção, conflitos entre os Poderes, figuras de proa da cena política nacional envolvidas em escândalos, governadores presos, Estados insolventes, chacinas. A lista é enorme.

Mas será que foi tão ruim? A julgar pelos indicadores, resultados de pesquisas e humor dos analistas, não há dúvida que sim. O governo é mal avaliado, a economia não está essas coisas e as pessoas, de uma maneira geral, estão com a vida pior, com menos renda, menos consumo e menos perspectivas. Não é possível viver bem vivendo sem esperança.

Mas 2016 foi também o ano em que o Brasil mudou seu rumo. Naquela parte que poderíamos chamar de “a grande política”, o País avançou – e avançou muito. O governo passou a falar qual é a real dimensão do déficit público. Esse compromisso com a verdade fiscal é indispensável, pois nenhuma Nação prospera com os administradores mentindo para a sociedade sobre a real situação das contas estatais. Ao invés de contabilidade criativa, realidade produtiva.

A aprovação da PEC do Teto não tem sido corretamente dimensionada. Representou um ponto de inflexão no histórico hábito da classe política brasileira de achar que as contas estatais são um saco sem fundo. É como pedir aos leões que não ataquem os veados. A vitória do governo alcançou 366 votos, terminou às quatro horas da manhã e não foi proposta nenhuma emenda ao projeto do Executivo. Poucas vezes se viu uma demonstração tão robusta de força na Câmara Federal.

Para se ter uma ideia do alcance da PEC 241, basta lembrar que, entre 1997 e 2015, a chamada despesa primária do Governo Federal (que é a despesa geral menos os juros da dívida) triplicou em termos reais! Segundo o assessor da equipe econômica do governo Temer, Marcos Mendes, isso equivale a um crescimento médio anual de 6,2% acima da inflação. Ano após ano. Uma catástrofe. Agora, a sangria está estancada. É impossível negligenciar um avanço dessa magnitude.

Também houve um salto qualitativo na gestão das estatais, que dificilmente poderia ser minimizado. Petrobrás, Eletrobrás e Banco do Brasil tiveram seus valores de mercado consideravelmente aumentados. A Lei das Estatais regulamentou o preenchimento de cargos nas empresas, retirando a possibilidade de integrantes dos quadros partidários assumirem posições administrativas. Quer algo que contraria mais a cultura de nossa classe política do que isso?

Na política externa, a guinada representou um avanço espetacular. Só o fato de o Brasil deixar seu alinhamento automático aos países com decadentes regimes populistas já colocaria o governo Temer no panteão da história. Qual a lógica de emprestar dinheiro para a Venezuela? Investir no Equador? Tecer loas à Bolívia? Isso tudo acabou.

O resultado do conjunto destas e de outras ações se reflete nas expectativas dos agentes econômicos. Os números estão na tabela abaixo.

Pensando bem, 2016 foi um ano e tanto. Começamos a restaurar a credibilidade. Ruins foram os anos que levaram a esse monumental descalabro, que está sendo corrigido por medidas corajosas de um governo que avaliou a situação corretamente, definiu uma estratégia e está perseguindo seus objetivos. Estamos, pois, frente a um paradoxo: apesar de tantas notícias ruins, tivemos um feliz 2016.

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