Pesquisar

tempo de leitura: 3 min salvar no browser

{ ARTIGO }

Uma agenda comum para a juventude

Fórum da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi primeiro passo para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes, escreve Rafael Auad

 

Rafael Auad, especialista em Gestão Pública e colaborador do Espaço Democrático

Edição: Scriptum

 

No dia 21 de novembro de 2022 ocorreu o primeiro Fórum de Juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). No Rio de Janeiro, representantes de nove países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste – se reuniram para uma série de debates com o objetivo de promover a participação ativa da juventude na construção de uma agenda comum para a comunidade, abordando temas prioritários às juventudes de todas essas nações.

O Brasil, como um dos principais países da comunidade, desempenhou um papel fundamental no fórum, sendo pivô na definição dos temas e na elaboração de uma agenda comum. A troca de experiências intra e internacionais de diferentes políticas públicas foi uma das pautas principais, sendo de extrema importância para a discussão sobre o desenvolvimento de ações eficazes e inovadoras que atendam às necessidades dos jovens da comunidade, independentemente de suas origens.

Possuindo a língua portuguesa em comum, não é de se espantar que a linguagem fosse um fator facilitador para a troca de informações entre os participantes. Porém, a troca foi além do que se esperava, com uma comunicação dinâmica e eficaz entre os diferentes países da comunidade. Isso permitiu maior participação dos jovens, pois não houve barreiras linguísticas que impedissem a compreensão dos temas discutidos e encorajou a participação da maioria.

Outra pauta também muito discutida foi o contraste entre países com maior riqueza e com menor riqueza na educação e preparo dos jovens para as carreiras do futuro, temas fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de um país. Diferenças significativas entre os países com maior e menor riqueza podem ter um grande impacto na desigualdade global e no futuro das carreiras dos jovens em uma nova divisão internacional do trabalho. É importante que sejam tomadas medidas para equilibrar essas diferenças e garantir que todos os jovens tenham acesso a uma educação de qualidade e a oportunidade de se prepararem para as carreiras do futuro.

Dentre as discussões, houve consenso em relação aos assuntos que devem ser destacados como prioridades – a sustentabilidade, igualdade racial e de gênero e oportunidades de estudos e ingresso no mercado de trabalho. Na pesquisa realizada pela CONJUVE em maio de 2021, dentre as motivações para continuar estudando, a preocupação com o futuro e o ingresso no mercado de trabalho são as principais (quatro a cada dez jovens trabalhando estão em seus primeiros empregos, subindo para cinco a cada dez entre aqueles com 18 e 24 anos).

O fórum, apesar de ter sido a primeira edição, foi um evento muito relevante. A necessidade de experiências como essas é muito importante para a elaboração de políticas públicas que atravessem os limites geográficos. Abordar uma agenda comum de futuro permite que os participantes aprendam sobre as diferentes perspectivas e desafios enfrentados por jovens em diferentes contextos geográficos. Isso é crucial para desenvolver políticas públicas que sejam eficazes e inovadoras e que possam ser adaptadas para atender às necessidades dos jovens em diferentes contextos. Ultrapassar barreiras de gênero, oportunidades de formação e de ingresso no mercado de trabalho também são objetivos e necessidades que o grupo entende como necessários à sua discussão.

Em resumo, a troca de experiências intra e internacionais em políticas públicas durante o primeiro Fórum de Juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi um primeiro passo fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes e inovadoras que atendam às necessidades dos jovens da comunidade, fornecendo uma visão mais ampla e diversificada dos desafios e oportunidades enfrentados, inspirando boas práticas e iniciativas bem-sucedidas. A facilidade de troca de mensagens pela língua em comum foi um grande diferencial e a criação de uma agenda comum foram ganhos altíssimos para nossa comunidade e para fora do País. A agenda da juventude é uma agenda sobre o futuro, comum ao mundo todo.

 

 

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


ˇ

Atenção!

Esta versão de navegador foi descontinuada e por isso não oferece suporte a todas as funcionalidades deste site.

Nós recomendamos a utilização dos navegadores Google Chrome, Mozilla Firefox ou Microsoft Edge.

Agradecemos a sua compreensão!