Uma fórmula para poupar mais

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ARTIGO

 

 

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Livros de economia usualmente definem a poupança do seguinte modo, que implicitamente indica também uma ordenação da prioridade atribuída a seus componentes, explicitada na linha após a definição.

Rendimentos – consumo = poupança

(1º) – (2º) = (3º)

Há dois problemas com essa definição tão corriqueira como apresentada sem maiores qualificações. O primeiro é que a poupança está em terceiro lugar, depois do consumo; inegavelmente, a relevância maior cabe aos rendimentos, cuja ampliação deve ser sempre buscada. O segundo problema é que a poupança é tratada como um resto, ou o que sobra depois de o consumo ser atendido, com um quê até de desprezível. A fórmula corresponde ao que muitas pessoas fazem, pois sucumbem à pressão por gastos de consumo, deixam o que sobrar para a poupança, e muitas vezes não sobra nada.

A poupança bem investida é a base da prosperidade. Suponha um agricultor que plante só milho, poupando habitualmente apenas as sementes necessárias para produzir na colheita seguinte uma safra de mesmo tamanho. Para aumentar essa safra teria que poupar mais, e para prosperar mesmo, teria que gerar um excedente para vender no mercado, e a partir daí comprar melhores sementes, máquinas e implementos agrícolas e outras necessidades.

Para avançar nesse caminho, reescrevi a expressão acima da seguinte forma:

Rendimentos – poupança = consumo (1º) – (2º) = (3º)

Inverto, assim, a ordem do consumo e da poupança, e complementando-a sistemicamente com esta definição de própositos:

Poupança ≥ X = meta ambiciosa e rigidamente cumprida (2)

onde ≥ significa maior ou igual a. E a maior meta possível, esforçando-se para ampliar essa possibilidade.

Com essa reformulação, a poupança assume a sua devida importância, e ao consumo cabe o que sobra. Reconhece-se que seguir o caminho pela fórmula (1) e pela condição (2) é muito difícil para quem tem rendimentos muito baixos, mas pode significar, por exemplo, a diferença entre ter um barraco ou não, e muitos conseguem tê-lo, deixando de morar na rua. E reconhece-se que a “prioridade prioritária” nos estágios iniciais e medianos da vida profissional deve ser o aumento dos rendimentos.

Sugere-se ao leitor uma reflexão sobre essa combinação de (1) e (2) no seu plano pessoal, pois tem imensas implicações para a sua gestão financeira. Eu a segui desde a juventude, buscando mais rendimentos via educação, procurando poupar bastante, e colhi bons resultados.

Vi também que ela atende a uma recomendação do Nobel de Economia, Richard Thaler, apresentada durante a edição de 2020 do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, organizado pela Anbima e pela [B]3: “…o único jeito de ajudar as pessoas a construírem um pé de meia é deixar isso fácil e automático.” Ora, a fórmula (1) acima, combinada com a expressão (2), é simples e fácil de entender. E pode ter aplicação automática se for incutida na mente do interessado.

E mais: fixada a meta de poupança, e assumido um efetivo compromisso com ela, isso evita ou pelo menos reduz em muito a chatice de acompanhar todas despesas de consumo, mediante registros e orçamentos recomendados intensamente por muitos livros. Admito que nunca fiz planejamento e orçamentos formais, trabalhando apenas com a mente e essa regra. Só orçava o que devia poupar e os gastos de consumo de alguma forma tinham que se ajustar de se ajustar à meta de poupança.

Confio que o hábito de seguir (1) e (2) ajudará a ampliar a poupança do leitor.

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