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{ ARTIGO }

Variação do PIB pode chegar à campanha eleitoral em duas frentes

Economista Roberto Macedo mostra como os dados da variação do Produto Interno Bruto podem ser usados no ano que vem

 

 

 

 

Roberto Macedo, economista e colaborador do Espaço Democrático

 

Edição Scriptum

 

Já tratei desse assunto antes, neste espaço, mas volto ao tema, pois novos dados surgem sobre ele, pelo qual tenho grande interesse. Duas fontes importantes de dados macroeconômicos recentemente divulgaram previsões de que será negativa a variação do PIB no terceiro trimestre (julho a setembro) de 2021, relativamente ao trimestre anterior, a ser divulgada pelo IBGE no próximo dia 2 de dezembro. No primeiro trimestre o PIB cresceu à taxa de 1,2% relativamente ao último trimestre de 2020. Foi uma ótima taxa trimestral que, se repetida nos trimestres seguintes de 2021, até o quarto, levaria a uma alta taxa anual de 4,9%, relativamente a esse quarto trimestre de 2020, o que seria o crescimento DENTRO de 2021, uma taxa excelente.

Mas no segundo trimestre deste ano o PIB caiu 0,1% e duas instituições importantes estão prevendo nova queda igual ou próxima desse valor no terceiro trimestre. A primeira previsão veio do Banco Central, por meio do seu Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que procura prever as variações do PIB. Para o terceiro trimestre, a previsão foi de uma queda à taxa de 0,14%. A segunda previsão foi divulgada por outra instituição, a Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, e veio também com queda, de 0,1%.

Tirando-se a média dessas duas previsões, teríamos uma queda de 0,12%. Essas duas instituições ainda não divulgaram previsões para o último trimestre do ano, mas o cenário para o PIB continua desanimador, embora o setor serviços, o mais importante, venha dando sinais de recuperação. A pandemia da covid-19 está se retraindo e a população, voltando às ruas, o que estimula esse setor, que entretanto não tem o poder de superar fortemente a fragilidade da indústria e o fato de que a agricultura está em fase de entressafra. Olhando esse cenário, vamos supor que a economia cresça 0,3% no último trimestre do ano. Com esses números trimestrais, 1,2%, -0,1%, -0,12% e 0,3%, o PIB cresceria 1,3% em 2021, relativamente a dezembro de 2020, ou seja, o que então seria o crescimento DENTRO do ano.

Mas o último boletim Focus do Banco Central, divulgado em 22 de novembro deste ano, que apresenta as previsões do mercado financeiro para a variação do PIB ENTRE 2020 e 2021, estima que ela será de 4,9%. Uma taxa próxima desse valor deverá ser divulgada pelo IBGE no início de março de 2022 e ela se revelaria tão alta porque o denominador do seu cálculo, o PIB de 2020, teve uma queda acentuada ao longo desse ano por causa da referida pandemia, com o PIB caindo 4,1%. Assim, a variação entre 2020 e 2021 será calculada com um viés dado por esse “buraco”. Em números-índices, usando os do IBGE para o PIB, com 1995 = 100, em 2020 esse índice teve o valor médio de 163,5 em 2020, mas com a recuperação em V terminou o ano em 169,4. Se não crescesse nada DENTRO de 2021, este último valor seria o índice médio do PIB de 2021. E calculando a taxa de variação ENTRE 163,5 e 169,4, ou seja, [(169,4/163,5) – 1], ela seria de 3,6% ENTRE 2020 e 2021. Somando-se esta taxa à do crescimento DENTRO de 2021, 1,3% conforme a previsão acima, chega-se à taxa de 4,9% prevista pelo relatório Focus para a variação do PIB ENTRE 2020 E 2021.

É possível que no ano eleitoral de 2022 o candidato situacionista enfatize essa taxa ENTRE os dois anos e a oposição aponte a taxa DENTRO de 2021. Seria um debate interessante, não fosse o fato de que transmitir o significado dessa diferença matemática ao eleitorado não será tarefa fácil.


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