A parlamentar negra pioneira que criou o Dia do Professor

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Antonieta de Barros se elegeu deputada estadual por Santa Catarina menos de meio século após a abolição da escravatura.

 

Quinze de outubro. Essa é uma importante data no calendário de um país onde a educação encabeça a lista de prioridades e preocupações de todos os governos. Hoje é o Dia do Professor.

Antonieta de Barros, mulher e negra, se elegeu deputada estadual por Santa Catarina menos de meio século após a abolição da escravatura. Sua bandeira era o poder revolucionário e libertador de uma educação para todos. Foi ela quem criou o Dia do Professor, que é celebrado em todo o território nacional. Provavelmente não são muitos os professores e estudantes que conhecem essa extraordinária heroína brasileira e seus feitos. A história de Antonieta de Barros é contada pela jornalista Aline Torres em artigo para o site do El País (Leia).

Em 1934, mesmo ano que a médica Carlota Pereira de Queirós foi eleita deputada federal por São Paulo, Antonieta de Barros se elegeu deputada estadual por Santa Catarina. Sete anos antes, num pequeno município do Rio Grande do Norte, havia sido eleita prefeita Alzira Soriano.

Antonieta nasceu em Desterro, como era chamada Florianópolis, no dia 11 de julho de 1901. Em seu registro de batismo não aparece o nome do pai. A mãe era Catarina Waltrich, escrava liberta. No imaginário popular, a verdadeira paternidade estaria ligada à família Ramos, uma das mais tradicionais do Estado.

Fiel ao seu conceito da educação como instrumento libertador, formou-se professora aos 17 anos e fundou o curso particular “Antonieta de Barros”, com o objetivo de combater o analfabetismo de adultos carentes. Ela acreditava que a educação era a única arma capaz de libertar os desfavorecidos da servidão. Por ser uma excelente profissional, lecionou também para a elite nos Colégio Coração de Jesus, Dias Velho e Catarinense.

Apesar de ter brilhado na política, a professora catarinense teve uma frustração. Não pode cursar a Faculdade de Direito, que era exclusiva para homens. Porém, no campo da política deixou sua marca. Desde sua eleição, apenas outras 15 mulheres ocuparam uma cadeira na Assembleia de Santa Catarina. Nenhuma negra.

Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias, onde escreveu: “A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação”.

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