
Foguete pode atingir velocidades próximas a 30 mil km/h, mais de 27 vezes a de um avião Boeing comercial.
Edição Scriptum com Estação do Autor e O Globo
O Brasil lançará até o final do ano, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o foguete HANBIT-Nano. Desenvolvido pela empresa privada sul-coreana Innospace, o HANBIT-Nano marcará a entrada do país no mercado global de lançamentos espaciais comerciais, hoje dominado por EUA, Europa e China. Operada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e o Programa Espacial Brasileiro, a base aeroespacial na Região Metropolitana de São Luís será palco da Operação Spaceward 2025, missão que vai levar cargas úteis, como satélites, ao espaço a partir do território brasileiro.
Com 21 metros de altura e pesando 30 toneladas, o foguete pode atingir velocidades próximas a 30 mil km/h, mais de 27 vezes a de um avião Boeing comercial. Projetado para missões orbitais leves, ele é capaz de levar pequenos satélites e experimentos científicos ao espaço, marcando um passo importante para o Brasil.
Reportagem de Luiz Eduardo de Castro para O Globo (assinantes) traz informações sobre a operação que simboliza um marco na cooperação público-privada e na busca por autonomia espacial, 20 anos após o acidente de 2003.
O lançamento envolverá a participação de 400 profissionais, dos quais 300 são militares. O HANBIT-Nano levará a bordo um total de oito dispositivos, sete brasileiros e um indiano, definidos como “experimentos”. Entre eles estão dois nanossatélites desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que permitirão o estudo de um sistema de comunicação de baixo consumo energético utilizado na aplicação da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), rede integrada de objetos eletrônicos inteligentes.
A dinâmica da Operação Spaceward em Alcântara envolve uma cooperação do setor público com a iniciativa privada. A base é militar e todos os seus sistemas, dos portões às antenas e painéis de controle, são operados por oficiais brasileiros da FAB. A empresa sul-coreana ficou responsável por trazer o foguete desmontado até o Brasil com uma equipe de engenheiros para a montagem e seus próprios sistemas de verificação.
A missão carrega simbolismo por ocorrer 20 anos após o acidente de 2003 que vitimou 21 técnicos e engenheiros civis em Alcântara. Na ocasião, o foguete brasileiro VLS-1 passava por ajustes finais para decolar quando uma ignição prematura de um dos motores resultou em um incêndio e na explosão da estrutura. O lançamento também marca a busca do Brasil por mais autonomia e independência no setor.