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Comunidades surdo-cegas estão criando nova linguagem de toque

O Protactile começou como um movimento de autonomia e segundo linguistas, está se tornando uma linguagem própria

 

 

 

Texto: Estação do Autor com The New Yorker

Edição: Scriptum

 

Cresce nos Estados Unidos um movimento que incentiva os surdo-cegos a rejeitar o estigma existente na cultura americana contra o toque, o que muitas vezes os deixa isolados do mundo ao redor. Conhecido como Protactile, o movimento defende que em vez de esperar que um intérprete lhe fale, por exemplo, sobre as maçãs disponíveis no supermercado, um surdo-cego mergulhe as mãos na caixa do produto. Se uma amiga que enxerga pega o celular no meio de uma conversa para checar um alerta meteorológico, ela deve levar também a mão do interlocutor surdo-cego ao bolso, para que ele entenda de onde vem a previsão do tempo.

Reportagem de André Leland para a revista The New Yorker mostra como comunidades surdo-cegas podem estar criando esta nova linguagem a partir do toque. O Protactile inclui um conjunto de práticas para tornar a comunicação tátil mais legível. Uma de suas criadoras é a surdo-cega Jelica Nuccio, que mostrou a John Lee Clark, principal personagem da reportagem da revista americana, como funcionava. Eles se sentaram de frente um para o outro, suas pernas se tocando, e Jelica descansou a mão de Clark em seu joelho, explicando que, enquanto ela falava, ele deveria bater para indicar que entendia, como acenar com a cabeça – uma prática chamada canalização para trás. Ela articulou palavras na mão de Clark, mas também diretamente em seus braços, costas, peito e coxas. Na Linguagem Americana de Sinais, os pronomes são articulados como pontos no espaço; pode-se designar uma cidade como Minneapolis como um ponto no ar, perto de seu ombro esquerdo, e Seattle como um ponto perto de seu ombro direito. Assim, esses gestos representam as cidades. Jelica mostrou a Clark como indicá-los como pontos no corpo: uma pressão com dois dedos em cada ombro.

A maioria dos adultos surdo-cegos já ouviu falar do Protactile. E algumas centenas de pessoas usam as práticas de comunicação do Protactile diariamente. Ainda assim, vários linguistas passaram a acreditar que o Protactile está se desenvolvendo em sua própria linguagem, com palavras e estruturas gramaticais que divergiram daquelas do ASL.

Leia a íntegra da reportagem da New Yorker (em inglês)


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