Covid-19 pode ser muito mais que uma pandemia

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Descobertas sobre o coronavírus revelam um inimigo cada vez mais difícil de derrotar. A ideia de que o vírus não atua sozinho, mas em conjunto com outras doenças, sugere que o mundo não enfrenta simplesmente uma pandemia, mas uma “sindemia”. Um artigo assinado por Richard Horton, diretor do semanário The Lancet, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo, pôs o novo termo no já extenso glossário da crise do Covid-19. É o que mostra matéria no site da revista alemã DW (leia a íntegra aqui). Horton argumenta que a covid-19 não é uma peste como outra qualquer já vista no passado e que, por isso, merece abordagem diferente. O termo sindemia, por isso, seria mais adequado: o vírus não atua sozinho, mas compactuando com outras doenças. E a desigualdade social tem papel-chave nisso.

O texto repercutiu em alguns dos principais meios de comunicação internacionais e ganhou eco no mundo científico. A americana Sociedade de Medicina de Catástrofes e Saúde Pública, por exemplo, defendeu, em artigo intitulado “Covid-19 a Covid-20”, que a resposta institucional à atual crise seja baseada num “pensamento sindêmico, e não pandêmico”.

Segundo Horton, todas as intervenções se concentraram até agora em cortar linhas de transmissão viral. A “ciência” que tem guiado os governos, afirma ele, é baseada principalmente em modelos de combate a epidemias que enquadram a atual emergência sanitária num conceito de peste que tem séculos de existência.

Uma epidemia sindêmica refere-se à ideia de que o vírus não age isoladamente. O coronavírus não é um vilão solitário que simplesmente espalha pneumonia e falência de órgãos entre a população. Ele tem cúmplices, como a obesidade, diabetes, doenças cardíacas e condições sociais, que acabam agravando a situação do infectado.

Em seu artigo, Richard Horton destaca que as sindemias são caracterizadas por interações biológicas e sociais, interações estas que aumentam a suscetibilidade de uma pessoa ver seu estado de saúde piorar ao contrair uma doença.

“A menos que os governos elaborem políticas e programas para reverter as profundas disparidades, nossas sociedades nunca estarão verdadeiramente seguras da covid-19”, conclui Horton. “A crise econômica que está avançando em nossa direção não será resolvida por uma droga ou uma vacina.”

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